Terminou as declarações a dizer que não ia fazer comentários aos seus antecessores mas foi precisamente isso que Marcelo Rebelo de Sousa começou por fazer na Póvoa do Lanhoso, onde esteve esta quinta-feira para as celebrações do centenário do Hospital António Lopes. “Se os sucessivos Presidentes da República não têm o respeito naquilo que dizem uns dos outros em termos de forma e de conteúdo acabam por não se fazerem respeitar pelo povo. É uma questão de equilíbrio e consideração pela função presidencial e pelo prestígio das instituições democráticas e ter todo o cuidado com aquilo que se diz”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, que assim respondia indiretamente a Cavaco Silva.

Na Universidade de Verão do PSD, o antigo Presidente da República tinha mandado esta quarta-feira uma farpa, lida como um ataque a Marcelo: “A palavra presidencial deve ser escassa, por isso é que o atual Presidente francês Emmanuel Macron é conhecido como o Presidente Júpiter, um Deus de palavra rara no seu Olimpo”, começou por dizer, numa altura em que comparava a estratégia de comunicação política de Macron à de outros políticos europeus. E enquanto chamava a si e a Macron as boas práticas, apontava o dedo a quem funcona de maneira diferente. Embora não tenha dito o nome de Marcelo Rebelo de Sousa, o atual Presidente seria um dos alvos do ex-Presidente, que falou na “verborreia frenética da maioria dos políticos europeus, que não dizem nada de relevante”.

Esta quinta-feira, foi a vez de Marcelo Rebelo de Sousa falar: “Quem é eleito Presidente da República tem que assumir um dever de reserva e contenção, em particular nas relações com os seus antecessores ou com os seus sucessores”. Essa contenção, disse ainda, “não significa uma total abstenção dos assuntos políticos portugueses”, mas ter “muito cuidado com o relacionamento com quem foi Presidente da República ou com quem o poderá ser, por uma questão de cortesia, bom senso e educação“.

Aviso para a Autoeuropa

Na mesma visita à Póvoa do Lanhoso, Marcelo Rebelo de Sousa comentou ainda os números do Instituto Nacional de Estatística, que esta quinta-feira reviu em alta as previsões de crescimento económico de Portugal — para 2,9%. “Vamos no caminho correto, no entanto eu penso que é preciso um pouco mais, tenho falado em 3% ou acima de 3%. É preciso ir acompanhando o que se passa lá fora e não ficar indiferente à capacidade de exportação da Autoeuropa”, disse o Presidente, introduzindo assim um outro tema quente. Mas pouco acrescentou depois. Sobre a greve que paralisou a produção da fábrica da Volkswagen durante 24 horas, Marcelo Rebelo de Sousa não teceu mais comentários e sublinhou apenas “o contributo decisivo [da Autoeuropa] para a economia portuguesa”.

Sobre os rumores de que o nível de alerta terrorista em Portugal tivesse “entrado no vermelho”, Marcelo repetiu o que já tinha dito em outras ocasiões sobre este tema: “Ouvidas as entidades competentes, não há razão para alterar o nível de alerta que existe em Portugal”.