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Assalto em Tancos

Tancos. Relatório de militares diz que ministro da Defesa agiu com “ligeireza, quase imprudente”

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Serviço de informações militares critica ministro Azeredo Lopes por "declarações arriscadas e de intenções duvidosas" sobre o caso de Tancos. Chefe do Exército igualmente censurado.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O serviço de informações militares criticou duramente a atuação do Ministro da Defesa no caso do roubo de armamento dos paióis da base de Tancos num relatório enviado para a Polícia Judiciária (PJ) e para o Serviço de Informações de Segurança (SIS). Segundo notícia avançada pelo Expresso, no relatório do serviço de informações militares pode ler-se que Azeredo Lopes agiu com “ligeireza, quase imprudente”, revelando uma “arrogância quase cínica” e fazendo “declarações arriscadas e de intenções duvidosas”. O Chefe de Estado-Maior do Exército, o general Rovisco Duarte, também é alvo de críticas, sendo acusado de assumir as consequências, apesar de “não ter tirado consequências dos seus atos (o general pôs o lugar à disposição, mas o ministro não aceitou).

O documento em questão terá sido elaborado em julho, apenas um mês depois do anuncio público do assalto em 29 de junho. A secreta militar não hesitou em classificar o incidente de Tancos como algo de “extrema gravidade, devendo ser investigado e definidas todas as consequências”.

Recorde-se que na sua última entrevista a um órgão de comunicação social (DN/TSF) no dia 10 de setembro, Azeredo Lopes afirmou que, “no limite, pode não ter havido furto” em Tancos.

Críticas ao poder militar. Marcelo elogiado

As violentas críticas ao poder político e militar são uma constante o longo das 63 páginas de relatório que não se inibe de afirmar que ambos os poderes falharam “ao não terem dado aos paióis o tratamento de infraestrutura crítica no âmbito da sua proteção.” Acrescenta ainda que o incidente revelou “fragilidade de liderança e e capacidade de gestão de crise, quer ao nível militar, quer ao nível político.”

Marcelo Rebelo de Sousa foi o único representante político a ser elogiado. A “pronta e ponderada ação do Presidente da República” terá atenuado o impacto negativo do acontecimento, afirmam os autores do relatório, que não são identificados pelo Expresso.

Os três cenários "muito prováveis"

No mesmo relatório divulgado pelo Expresso, os serviços de informações militares apontam três cenários “muito prováveis” de terem acontecido em Tancos, sendo eles:

  • Tráfico de armamento para África (em específico, para a Guiné-Bissau e Cabo Verde)
  • Um assalto promovido por mercenários portugueses contratados
  • Envolvimento de jihadistas a operar na Península Ibérica

O relatório em questão — que terá tido como destinatários a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária e os Serviços de de Informações e Segurança (SIS) — afirma ainda que este furto é prova do elevado grau de degradação das infraestruturas e meios das Forças Armadas . E que tal situação contribui para o “sentimento de insegurança e para a descredibilização do Exército e das Forças Armadas.”

Uma das autoridades a quem este relatório foi enviado, a UNCT, tem trabalhado em conjunto com o Ministério Público na investigação do caso. Num comunicado emitido a 4 de julho, a Procuradoria Geral da República anunciou que, “face às notícias relativas ao desaparecimento de material de guerra [em Tancos]”, o MP iria “iniciar investigações” por causa das “suspeitas de prática dos crimes de associação
criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.” As investigação prosseguiram sob a forma de “um inquérito com objeto mais vasto”, a ser levado a cabo pelo DCIAP.

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