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Cuidado: está quente

Quanjude: a China em Lisboa sabe a pato

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O pato à Pequim - prato chinês que, muito provavelmente, mais adeptos deverá ter - é tratado como realeza neste novo restaurante no Parque das Nações, em Lisboa.

O que interesa saber

Nome: Quanjude
Abriu em: Agosto de 2017
Onde fica: Rua Polo Norte, 1.06 2.1B , (Parque das Nações), Lisboa
O que é: O primeiro restaurante deste franchise chinês que tem no Pato à Pequim a estrela da ementa.
Quem manda: A família Wang é a responsável por este franchising
Quanto custa: Entre 30 a 35€ por pessoa.
Uma dica: Se não for adepto do picante, preste especial atenção ao menu. Todos os pratos têm identificado a intensidade do calor que deverá sentir.
Contacto: 967 160 008
Horário: Todos os dias, das 12h às 15h e das 19h às 23h
Links importantes: Facebook

A História

Por mais que se diga que a saudade é uma coisa muito portuguesa, a família Wang (chineses que vivem em Portugal há duas décadas) sentiu-a na pele quando percebeu que, no seu novo país, a comida chinesa deixava algo a desejar. Yue Wang, filha do casal de empresários por trás desta novidade, explica esta história.

“Eles queriam poder comer como comiam na China, na sua província de Sichuan”, avança. A solução para este problema surgiu na oportunidade de apostar no franchising Quanjude, um gigante da restauração chinesa cujas origens, reza a lenda, encontram-se em 1864, quando um vendedor ambulante da Praça Tiananmen decidiu abrir uma espécie de tasca especializada em pato assado — iniciativa que correu tão bem que em pouco tempo chamou a atenção de todos. Os anos passaram e a pequena tasca transformou-se numa conceituada cadeia de restauração responsável por, entre outras coisas, servir o catering nas visitas de Estado. Esta abertura em Lisboa significa, portanto, a chegada do grupo Quanjude à Europa.

O forno a lenha feito à medida é um dos segredos do pato do Quanjude. © Divulgação

O Espaço

É um restaurante muito ligado à tradição chinesa, daí não ser de estranhar o facto de existirem, por exemplo, três salas privadas que podem ser reservadas com antecedência (a existência destas salas é um costume muito típico do país de Confúcio). Tirando isso, é muito semelhante a outros que servem o mesmo tipo de gastronomia, não faltando sequer as habituais cadeiras em madeira de tons escuros, adornada com dragões e outros símbolos alusivos ao imaginário oriental.

Não falta também, claro, uma fonte, que fica mesmo no meio do restaurante, não fosse a água um símbolo de boa sorte na cultura chinesa. Em termos mais gerais, a dimensão do restaurante é considerável — senta 90 pessoas — e a sua localização é relativamente acessível, já que fica mesmo ao lado do Centro Comercial Vasco da Gama. Um pormenor curioso explicado à luz do feng shui: Quanjude remete para as palavras “perfeição”, “união”, “benevolência” e “virtude”.

A sala de refeições deste novo espaço dedicado à comida chinesa. © Divulgação

A Comida

A carta é bastante variada — tudo pratos típicos da região de Sichuan, zona famosa por apostar na comida picante — e não faltam opções como Miúdos de Vaca do Marido e da Mulher (10,90€), Beringela com molho de alho (9,90€) ou até o Peixe Picante (30,90€). Contudo, aqui quem manda é o pato e os cozinheiros do Quanjude levam-no muito a sério.

Tudo começa na Margem Sul do Tejo, conta Yue Wang. “Os meus pais passaram muito tempo à procura de uma boa quinta de patos. Só escolhemos os melhores e cada um tem de ter, no mínimo, 2,5 quilos”, explica. Depois disso, já com o pato na cozinha, começa-se a depenar, antes de se fazer um golpe de baixo de cada asa — para que a carcaça não perca o seu formato.

A fase seguinte consiste na limpeza das vísceras e logo depois o animal é colocado a “secar” durante oito horas, com a ajuda de ventoinhas. O pato recebe uma lacagem feita com mel, para lhe dar brilho e alguma doçura, antes de voltar a ser seco novamente. Já quase no fim do processo, a ave é recheada com uma mistura de vários vegetais (como aipo, cenoura e cebola) e especiarias, para depois se deixar a marinar durante outras oito horas.

A estrela da ementa: o pato à Pequim. © Divulgação

O forno a lenha, que foi feito à medida para o restaurante, é o destino final desta iguaria. Depois de todo o intrincado processo de preparação, a ave é colocada a assar durante 70 minutos, a uma temperatura de 200º. A lenha que alimenta todo este calor também tem algo de especial: “A receita tradicional do pato à Pequim diz que o animal só pode ser cozinhado com lenha de árvores de fruto.

“Na China usa-se muito a madeira de pessegueiro e cerejeira, cá, como não há tanta abundância deste género de árvores, usamos oliveira, que lhe dá um aroma muito interessante.”, explica Yue. Depois de tanto trabalho, seria expectável que faltasse apenas começar a comer, mas não é bem assim – quando pede o pato à Pequim são lhe servidos não um, mas dois pratos.

A primeira coisa a sair da cozinha é uma travessa branca onde surgem umas crocantes e gulosas lascas da pele de pato com algumas fatias da carne do mesmo. Neste momento chegam também à mesa os crepes de massa fina e respetivos toppings (molho, aipo e pepino), que devem ser recheados à semelhança de um wrap ou burrito. Ultrapassada esta fase terá de fazer uma escolha: como quer comer o resto do animal?

A primeira opção consiste numa tigela cheia de pedaços ossudos que são fritos e banhados com um molho de pimenta. A segunda passa por um caldo enriquecido com a medula e outros pedaços da ave, que se faz acompanhar de uns cubos de tofu.

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos restaurantes.

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