O impacto dos automóveis elétricos na emissão de gases de efeito estufa é sempre menor do que o dos carros com motor a gasóleo, mesmo quando a produção de energia elétrica está fortemente dependente de combustíveis fósseis. Esta é uma das conclusões de um estudo, descrito como independente, da Universidade Vrije de Bruxelas para a Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&A).

O estudo, divulgado pela associação ambientalista ZERO que é membro da T&A, avalia o ciclo de vida dos carros, incluindo as emissões produzidas no fabrico das baterias e do veículo, bem como as emissões geradas para produzir a eletricidade que o abastece. E conclui que mesmo num país como uma grande intensidade de emissões na geração elétrica, como é o caso da Polónia, o veículo elétrico emite menos 25% de dióxido de carbono ao longo de todo o ciclo. Em sistemas mais verdes, como sueco, a redução de emissões do carro elétrico face ao gasóleo pode chegar aos 85%.

Estes resultados ajudam a reforçar a tese dos que defendem as vantagens ambientais da mobilidade elétrica, face ao motor de combustão, ainda que existam reservas da indústria petrolífera que contestam o discurso de emissões zero que surge frequentemente associado aos carros elétricos.

O estudo da universidade belga analisa a intensidade de emissões de CO2 nas redes elétricas de oito países europeus, que por sua vez, reflete o mix de fontes energéticas que vão desde as barragens e eólicas até ao carvão. A lista não inclui Portugal, mas a associação ZERO fez as contas a partir das fontes de produção de eletricidade em 2016. E conclui que um carro elétrico em Portugal tem cerca de quatro vezes menos emissões de gases com efeitos de estufa, ou para usar uma unidade comparável com o estudo para T&A, emite menos 76% do que um carro a diesel.

Estes valores valem apenas para um consumidor doméstico, já que a oferta de eletricidade para este segmento tem mais energia de fontes renováveis do que a das grandes empresas. São as famílias e os pequenos negócios fornecidos pela baixa tensão que pagam o sobrecusto com a produção renovável, explica ao Observador o presidente da ZERO, Francisco Ferreira. A mesma conta feita para as empresas aponta para uma redução de emissões mais modesta, na casa dos 56%, sempre na comparação com um carro a diesel. Estas reduções de emissões seriam menores se os cálculos fossem elaborados com base na produção elétrica deste ano, admite Francisco Ferreira. A seca provocou uma enorme subida da geração térmica — centrais a carvão e gás natural — que é grande emissora de dióxido de carbono.

A comparação do estudo está limitada a carros a diesel, que são os mais usados em muitos países europeus, e não contempla automóveis a gasolina, mas o presidente da ZERO acredita que o resultado final seria também favorável ao carro elétrico. A vantagem dos carros a gasolina face ao diesel não está tanto no combustível usado, o gasóleo emite mais, mas permite gastar menos para fazer a mesma distância, mas no ciclo de vida total do veículo que é pior para o ambiente. Segundo outro estudo divulgado pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente, o processo de refinação tem mais intensidade energética e o motor é mais pesado e complexo, fatores que penalizam os carros a diesel na comparação com os carros a gasolina.