Aquece a luta pela liderança do PSD. Com as máquinas eleitorais de Rui Rio e Pedro Santana Lopes a todo vapor, sucedem-se as entrevistas e as intervenções públicas dos dois candidatos. E, com elas, as primeiras trocas de galhardetes. Desta vez, foi o ex-presidente da Câmara do Porto a lançar-se ao adversário: “Sou mais estável do que Santana Lopes”. Palavra a Rui Rio.

O que o diferencia de Santana Lopes? “Somos diferentes, sou mais estável, quer no discurso quer ao longo da minha vida. Cumpro mandatos até ao fim de uma forma particularmente rígida, como se sabe. Santana Lopes já foi cinco vezes candidato a líder do PSD”, resumiu o antigo autarca.

Em entrevista ao Expresso, Rui Rio diz ainda que Pedro Santana Lopes é uma “quarta escolha”, depois de goradas as candidaturas de Pedro Passos Coelho, Luís Montenegro e Paulo Rangel.

Santana Lopes é uma quarta opção de quem queria a todo o transe que existisse uma âncora contra mim. Queria que Passos Coelho continuasse, ele entendeu não continuar. Depois tentaram Luís Montenegro, depois Paulo Rangel, depois Santana Lopes, que aceitou. Se não tivesse aceitado, ainda haveria a tentativa de um quinto. É uma frente, não anti-Rui Rio, mas contra aquilo que pode ser um projeto que tenha mais mudança do que aquilo que querem”, defendeu o portuense.

Sem nunca nomear os responsáveis por esta alegada campanha contra a sua candidatura, Rui Rio sugere mesmo que o movimento em torno de Santana Lopes está diretamente relacionado com os receios que “muitos” têm de perder o “lugar”.

“Muitos pensam que se isto tiver uma renovação maior do que é conveniente, se calhar, o lugar pode ficar em perigo. Isto efetivamente existe”, reiterou o social-democrata.

Noutra passagem da entrevista, Rui Rio chega a defender que, com Pedro Santana Lopes à frente do PSD, o partido arrisca-se inclusivamente a ficar em terceiro lugar nas próximas legislativas, atrás de socialistas e democratas-cristãos. Mais: segundo Rio, se o PSD escolher Pedro Santana Lopes como líder, corre o “risco muito grande” de desrespeitar a vontade da “população portuguesa”.

Se nestas eleições os militantes do PSD não escolherem aquele que os portugueses mais querem [o PSD corre o risco de deixar de ser sequer o segundo]. Se a escolha chocar com a vontade da população portuguesa, não sei como é que a seguir vamos fazer uma reconciliação com as pessoas. O exercício que os militantes do PSD têm de fazer é ouvir a população. É um risco muito grande decidir ao contrário”, defendeu o social-democrata.

O antigo primeiro-ministro lembra, a propósito, a derrota de Pedro Santana Lopes nas legislativas de 2005, que permitiu a José Sócrates a primeira e única maioria absoluta da história dos socialistas. E deixa uma profecia: quem volta ao poder político depois de governar, volta para perder.

“Os militantes têm que pensar numa coisa: todos aqueles que estiveram num cargo e agora querem regressar, à exceção de Isaltino Morais agora nas eleições de Oeiras, perderam sempre. Santana, em 2009 quando quis voltar à Câmara de Lisboa, perdeu. Quando quis regressar ao partido, até ficou em terceiro contra Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel. Todos aqueles que quiseram regressar, perderam”, rematou Rui Rio.