Morgan Spurlock confessou, numa publicação online, ter uma história de assédio sexual no passado, que inclui ter sido acusado de violação. O documentarista, que realizou “Super Size Me – 30 dias de fast food” decidiu admitir o seu mau comportamento, dizendo que é parte do problema.

Enquanto me sento e vejo herói depois de herói, homem depois de homem, cair devido aos comportamentos do passado, eu não me sento a pensar ‘quem será o próximo?’, Eu penso, ‘quando é que eles vão chegar a mim?'”, começa por escrever Spurlock.

Depois, conta dois episódios da sua vida. Um remonta ao tempo em que andava ainda na faculdade, quando uma rapariga o acusou de violação. Spurlock afirma que na sua cabeça apenas tinham estado juntos na cama, depois de uma noite em que estiveram a beber.

[Nós] fomos para o meu quarto. Tirámos a roupa. Ela disse que não queria ter sexo, então nós estivemos juntos, conversámos, beijámo-nos, e rimo-nos, e depois começámos a fazer sexo”, conta Spurlock.

O documentarista diz que a rapariga ficou perturbada e então pararam o ato, acrescentando que depois do ocorrido tentou confortá-la – “Eu acreditei que ela se estava a sentir melhor. Ela acreditou que foi violada”, escreveu.

O outro incidente aconteceu mais recentemente, há cerca de oito anos, quando foi acusado pela sua assistente. Spurlock diz que lhe chamava ‘hot pants’ ou ‘sexy pants’, qualquer coisa como um piropo. Depois do sucedido, a assistente pediu-lhe que lhe pagasse uma indemnização, caso contrario iria contar a toda a gente — e Spurlock pagou.

Eu paguei para ficar de consciência tranquila. Paguei por silêncio e cooperação. Acima de tudo, paguei para permanecer [perante os outros] como eu era”, afirma na publicação.

Na publicação online, Spurlock tenta encontrar possíveis razões para o facto de ser “parte do problema” e é nesta altura que conta ter sido abusado quando era criança e durante a adolescência, mas também o facto de não ter estado “sóbrio por mais de uma semana em 30 anos”.

Durante a sua confissão, admite que sempre enganou as mulheres com quem esteve, dizendo que durante anos disse que as amava e depois tinha sexo com outras mulheres.

A frase mais repetida por Spurlock é “Eu sou parte do problema”, mas conclui dizendo que “Todos somos [parte do problema]”, e que ao reconhecer os erros que cometeu e admitir as situações “terríveis” espera “fazer parte da mudança”.

O escândalo de Harvey Weinstein, que rebentou em outubro, tem dado origem a muitas confissões e acusações.