A Subaru atravessa uma das piores fases da sua história. Depois do escândalo relacionado com as deficientes inspecções aos seus veículos, em final de linha de montagem, o que levava a que modelos com defeitos fossem colocados em circulação, segue-se agora a suspeita de fraude na leitura da quilometragem, que serve de base para a fixação dos valores dos consumos e emissões.

A notícia é avançada pela agência noticiosa Reuters, recordando que, no Japão, estas leituras servem para apurar o número de quilómetros que um veículo consegue realizar com um litro de combustível. Sendo que, neste momento, a Subaru está a investigar possíveis infracções nas leituras finais, relativas aos seus veículos. Admitindo, desde já, que é provável que tenha mentido em relação aos dados publicados.

No entanto, o fabricante também já assegurou que, mesmo em caso de falseamento de resultados, tal não implicará necessariamente um recall, nem consituirá uma infracção dos regulamentos de segurança.

Neste momento, estamos a tentar confirmar se houve, realmente, dados falseados e, no caso de tal ter sucedido, como é que aconteceu e quais os modelos que foram afectados”, informou o porta-voz da Subaru, Miyuki Yasuda.

Apesar das afirmações tendencialmente tranquilizantes do responsável pela Subaru, a verdade pode ser bem diferente. Isto porque, se a marca mentiu nos consumos, como tudo indica, haverá também um desvio em termos de emissões poluentes. E isto, sim, pode ser um problema dispendioso para a marca.

Ainda de acordo com o fabricante, os primeiros sinais de dados falsos nas leituras da quilometragem terão sido detectados pelos investigadores, encarregues do processo que deu origem ao escândalo das inspecções.

Apesar da postura defensiva da empresa japonesa, é natural que o mercado encare mais este potencial deslize com alguma dose de certeza, isto porque acontece num construtor que, como ficou provado, descurou as inspecções finais dos seus veículos durante “apenas” 30 anos. Prática que só terminou quando foi apanhado. E condenado.

Entretanto, fruto de toda esta má publicidade, as acções da Subaru caíram já 8,5%, atingindo o seu valor mais baixo desde Julho de 2016. Recorde-se que, também em 2016, o valor de mercado da Mitsubishi caiu quase 40%, devido à falsificação nos valores obtidos nos testes ao consumo de alguns dos seus modelos.