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Cinco grandes construtores de veículos japoneses, nomeadamente a Toyota, Subaru, Mazda, Yamaha e Kawasaki, estão empenhados em evoluir para a neutralidade carbónica. Mas, para já, recusam-se a desistir dos motores de combustão interna. Pelo contrário, comprometeram-se em conjunto a desenvolver novas tecnologias de combustão para, por um lado, não desaproveitar as décadas de investimento neste tipo de motorizações e, por outro lado, poderem oferecer aos clientes uma gama mais variada de opções, em termos de mecânicas. Essa foi a mensagem conjunta transmitida por representantes do quinteto na Super Taikyu que decorreu em Okayama.

A ideia é usar a competição para validar as novas apostas tecnológicas, com a Mazda a fazer saber que vai correr na classe ST-Q da Super Taikyu, no Japão, com o protótipo Mazda Spirit Racing Bio concept Demio. Trata-se de um veículo animado pelo motor SkyActiv-D de 1,5 litros, sendo que o gasóleo que o alimenta é biodiesel, obtido a partir de óleo de cozinha e gordura. Não obriga a qualquer alteração da mecânica e, segundo a marca, os testes já realizados com diferentes Mazda permitiram-lhe concluir que este combustível não perde em nada para o gasóleo “convencional”.

Já a Toyota, que tem colaborado com empresas e diferentes governos para expandir as opções de produção, transporte e uso de hidrogénio, vai dar seguimento às provas com o seu Corolla a hidrogénio (queimado num motor de combustão), que já disputou as 24 Horas da Fuji Super TEC, a Super Taikyu e o Suzuka S-TAI. Por outro lado, levará para a grelha de partida da Super Taikyu, juntamente com a Subaru, um carro baseado no GR86 alimentado por combustível sintético, neutro em carbono, derivado de biomassa. Já a Subaru entra na corrida com um veículo baseado no BRZ. Recorde-se que ambas partilham a base técnica dos respectivos SUV a bateria, o Toyota bZ4X e o Subaru Solterra.

Quanto aos fabricantes de motos, quer a Kawasaki quer a Yamaha estão decididas a desenvolver um motor de combustão a hidrogénio, e não excluem a participação da Honda e da Suzuki, ressalvando que as áreas de pesquisa em comum não impedem o desenvolvimento particular da tecnologia.

Apesar de defenderem o uso deste tipo de gasóleo e gasolina neutros em carbono, além do hidrogénio, como combustíveis para os motores de combustão já existentes, os construtores japoneses não desconhecem que, qualquer uma destas soluções, emite poluentes quando em funcionamento, o que não resolve o problema da qualidade do ar nos grandes centros urbanos.

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