Sporting

Os heróis do teclado, as eleições de 2011 e o volume recorde de receita: o discurso inflamado de Bruno de Carvalho na AG

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Assembleia geral do Sporting começou com atraso de duas horas e teve discurso de Bruno de Carvalho: durante uma hora, líder leonino apontou o dedo às críticas internas e apresentou contas do mandato.

Bruno de Carvalho iniciou a assembleia geral com uma intervenção de cerca de uma hora aos muitos sócios presentes

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A assembleia geral do Sporting, que deveria ter começado às 15 horas (meia hora depois da primeira chamada, prevista para as 14h30), sofreu um atraso de quase duas horas devido a dificuldades logísticas na zona de acreditação e perante a presença massiva de sócios do clube no Multidesportivo de Alvalade. “Às vezes não conseguimos ter em conta todos os pormenores e se há alguém culpado por isso tenho de ser eu, pelo que peço as minhas sinceras desculpas”, disse Jaime Marta Soares, presidente da Mesa.

À hora inicialmente marcada, as filas no exterior do recinto eram ainda muito grandes, num dia de casa cheia em Alvalade que começou no Pavilhão João Rocha às 12 horas, com a receção da equipa de hóquei em patins ao Grândola (vitória por 11-4, que levou os leões de forma provisória ao primeiro lugar do Campeonato antes da receção do Benfica, que ganhou também na Luz à Juv. Viana e voltou à liderança com mais um ponto). Resolvidas todas as questões, e como é habitual, Bruno de Carvalho, presidente do clube e da SAD, tomou a palavra.

“Tinha prometido que iria fazer em janeiro, que não deu por causa de uma intervenção cirúrgica que tive de realizar, uma assembleia geral para fazer a distinção entre sportinguistas e sportinguistas e aziados. Para não gastar dinheiro do clube, seriam também apresentadas as contas consolidadas e um Relatório de Sustentabilidade do Grupo Sporting. Depois, o Conselho Fiscal e Disciplinar apresentou uma série de questões para fazer o seu trabalho melhor e nós fizemos o nosso trabalho. E acabámos mais ou menos na altura do empate do V. Setúbal, não sabia que íamos ganhar a Taça da Liga e que estaríamos em primeiro. Para os heróis do teclado, não sou o Nhaga”, iniciou, antes de destacar as conquistas europeias e demais troféus das modalidades “que era suposto acabarem, à exceção do futebol e do futsal”. “E temos finalmente pavilhão”, acrescentou, o que mereceu a primeira salva de palmas.

Recordando as batalhas ganhas contra os fundos e pelo vídeo-árbitro, entre outras, Bruno de Carvalho mostrou-se preocupado com questões internas, “até mais do que os rivais”. “Usam o terrorismo, falam em lei da rolha, regime norte-coreano, quer ficara para sempre no clube, ele acha que é o dono disto tudo… Dizem tudo. Mas voltar a falar dos sportinguistas e dos sportinguistas aziados, que vou apelidar sempre de ‘sportingados'”, exclamou, antes de começar a visar elementos como Pedro Madeira Rodrigues, candidato derrotado em 2017.

“Venho solicitar à Mesa da Assembleia Geral que seja feita uma votação que veja a sensibilidade dos sócios presentes para saber se alguns dos insultos proferidos são causa de processo disciplinar ou não. Aqui é que tem de haver pluralidade e debate. É e será. E, por isso, irei dar alguns exemplos para os sportinguistas poderem dizer o que acham do que diz e escreve por aí”, atirou, remetendo para um período onde já não exista transmissão.

“Somos a única direção nos últimos 20 anos que deu património ao clube”, exclamou entre muitos aplausos, numa altura em que falava nos pontos 4 e 5 da ordem de trabalhos da reunião magna, já depois de ter abordado os três iniciais: a atribuição a título perpétuo do número 9 a Fernando Peyroteo, “o maior goleador mundial de sempre no rácio jogos/golos”; a realização de uma auditoria de gestão ao mandato entre 2013 e 2017; a apresentação, pela primeira vez na história do clube, de um Relatório de Sustentabilidade do Grupo Sporting.

“Querem que saia? Peçam à Assembleia Geral, à vontade. Só quero ficar aqui enquanto estiver a ajudar o Sporting, mais nada. Todos queriam justiça mas quando se faz uma alteração estatutária é tudo nebuloso…”, referiu antes de entrar em algumas das mudanças nos estatutos previstas na votação do ponto 6. “Chega de mentiras, de hipocrisias, de tretas neste clube. Querem um clube onde se faça justiça ou não? Façam como entenderem. É aqui que se fala, não é a fazer perguntas na net nem a dar entrevistas para os jornais!”, gritou, numa fase mais dura.

“A Abrantes Mendes, em vez de falar nos jornais, que explique porque não desistiu das eleições em 2011 mesmo sabendo que ia ter poucos votos. A Rui Morgado, que diga porque é que fui presidente em 2011 mas só até às 5h da manhã. Não é preciso andar a falar do Sporting e que o presidente quer a ditadura… A ditadura quer quem toma o Viagra”, soltou também em relação a dois assumidos críticos e às polémicas eleições de 2011, antes de abordar outros temas que já tínhamos antecipado como a extinção do Conselho Leonino (apenas aplicável a partir das próximas eleições), o fim do método de Hondt na eleição do Conselho Fiscal e Disciplinar e a possibilidade de de sancionar quem “praticar atos ou adotar comportamentos, no âmbito da atividade de grupos reconhecidos ou identificados com o Sporting, ofensivos ou injuriosos de qualquer membro dos órgãos sociais do Sporting, ou em violação dos deveres previstos nos presentes estatutos” ao abrigo de um novo regulamento disciplinar.

“As alterações no Regulamento Disciplinar são vitais para tornar o Conselho Fiscal mais eficaz e eficiente. Em relação às contas consolidadas: o ativo regista um aumento de 91 milhões, o passivo aumenta 55 milhões onde cerca de 15% tem a ver com aumento dos fornecedores e dos deferimentos com uma redução de dívida bancária de seis milhões e o capital apesar de negativo recupera 36 milhões face ao ano anterior. Na demonstração de resultados verifica-se um crescimento em todas as linhas de negócio e o volume de negócios atingiu um valor recorde de 172 milhões. Acabámos este mandato com um agregado positivo de 20 milhões e destaco: melhoria do fundo de maneio em cerca de 42 milhões, redução da dívida líquida bancária em cerca de 82 milhões, aumento do ativo em 93 milhões e redução do passivo em 33 milhões, melhoria dos capitais próprios em 126 milhões e maior volume de negócios da história do Sporting. Vamos para a assembleia e vamos ver quem quer a lei da rolha”, rematou num discurso de cerca de uma hora.

Já sem transmissão, a reunião magna do Sporting prosseguiu à porta fechada, não tendo qualquer estimativa de hora para terminar (apesar de haver um jogo de voleibol no Pavilhão João Rocha, a partir das 19h, frente ao VC Viana) por estar dependente do número de intervenções em cada um dos pontos. No final, haverá um resumo das principais conclusões do encontro, que deverá pertencer a Jaime Marta Soares.

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