David e Louise Turpin, os pais que acorrentaram os 13 filhos na “casa dos horrores”, foram acusados de mais três crimes de abuso de menores, na audiência desta sexta-feira no Supremo Tribunal de Riverside. A mãe, Louise, foi ainda acusada de um crime adicional de agressão.

O casal já estava acusado de 12 crimes de tortura, sete de abuso contra um adulto dependente, seis de abuso de menores e 12 anos de falso sequestro. David estava também acusado do crime de um “ato obsceno” contra  “uma das crianças”. Segundo o procurador responsável pelo caso, Mike Hestrin, David terá tocado “inapropriadamente” numa das filhas menores de 14 anos.

Foi agendada uma reunião entre as partes envolvidas no processo para se fazer um ponto de situação sobre o caso para dia 23 de março. Uma audiência preliminar foi agendada para o dia 14 de maio, que determinará se há provas suficientes para justificar um julgamento. No entanto, os advogados de defesa disseram que estavam “céticos” quanto a estar tudo preparado nessa altura, uma vez que há muitas provas para analisar.

O casal só está a ser acusado por atos que aconteceram desde 2010, embora os abusos tenham começado anos antes, em Rio Vista, Fort Worth, no estado norte-americano do Texas, onde a família vivia até se mudarem para a Califórnia. Tudo “começou com casos de negligência” como forma de castigo, em que as crianças eram amarradas com cordas e mais tarde passaram a ser presos com correntes e cadeados, torturados e agredidos. Muitas vezes eram isolados e divididos em grupos em diferentes divisões. Os castigos podiam “durar semanas ou meses”. Bastava que uma criança estivesse a lavar as mãos e deixasse a água passar dos pulsos, que era acusada de estar a brincar com a água e, por isso, castigada.

Foi a filha de 17 anos que salvou os outros 12 irmãos. Na madrugada do dia 14 de janeiro, a jovem conseguiu fugir e alcançar um telemóvel que encontrou em casa, através do qual ligou para a polícia.  Este foi o cenário que a polícia encontrou: “Várias crianças acorrentadas às suas camas com correntes e cadeados, na escuridão e num ambiente com cheiros nauseabundos“, lê-se no comunicado emitido no dia seguinte. Todos os filhos, à exceção da menina de 2 anos, estavam subnutridos. Os pais compravam comida, como “tartes”, deixavam nas bancadas para as crianças verem, mas não permitiam que comessem. A vítima de 29 anos pesava 37 quilos, “uma das crianças de 12 anos tinha o peso de uma de 7”.

Assim que foram libertados, foram alimentados e internados em dois hospitais diferentes: os seis menores foram levados para um centro médico do Riverside University Hospital System, em Moreno Valley, e os sete filhos adultos para o centro médico regional de Corona, ambos na Califórnia. Mesmo tendo pedido aos assistentes sociais para ficarem juntos, os filhos adultos foram para um centro de assistência estatal, os menores de idade foram divididos em duas casas de acolhimento.

O casal enfrenta agora uma pena que pode ir “até 94 anos de prisão”, se forem condenados. O valor da fiança é de 13 milhões de dólares (cerca de 10,3 milhões de euros) a cada um dos pais — que estão proibidos de contactar os filhos.