O presidente da Síria garante que vai continuar com os bombardeamentos em Ghouta, considerando que as operações em nada contrariam o cessar-fogo imposto pelo presidente russo.

A operação em Ghouta é a continuação do combate contra o terrorismo em diferentes locais”, afirmou Bashar al-Assad aos jornalistas, este domingo.

Para o líder sírio, “não há contradição entre o cessar-fogo e as operações de combate”. De acordo com a CNN e a Reuters, Assad referia-se à ordem de cessar-fogo de Vladimir Putin para, durante cinco horas por dia (entre as 9h e as 14h), permitir aos civis saírem de Ghouta e que começava na terça-feira passada. Estima-se que estejam cerca de 400 mil pessoas retidas em Ghouta.

Segundo a agência de notícias controlada pelo governo de Assad, o regime sírio conseguiu conquistar vários bairros na zona este de Ghouta, que estavam sob o controlo de grupos terroristas. É a primeira vez que o regime de Damasco anuncia ter assumido o controlo desta zona desde que lançou a campanha para a reconquista de Ghouta, a 18 de fevereiro e que já fez cerca de 500 mortos.

“O progresso conseguido ontem [sábado] e no dia anterior em Ghouta pelas Forças Armadas sírias foi feito durante este cessar-fogo. Por isso, temos de continuar com a operação em paralelo com o corredor [humanitário] para os civis saírem.”

No seguimento destas declarações, a Casa Branca considerou que os mesmos argumentos foram utilizados pelo regime de Damasco para a reconquista de Aleppo. “Esta é a mesma combinação de mentiras e de força indiscriminada que o regime sírio e a Rússia usaram para isolar e destruir Aleppo em 2016”, lê-se num comunicado, citado pela CNN.

A verdade é que Assad tem continuado com os bombardeamentos. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos do Homem, pelo menos 14 pessoas morreram, este domingo, em ataques da Força Aérea. Além de que a ajuda humanitária não conseguido chegar a Ghouta: estão 45 camiões com mantimentos para 90 mil pessoas à espera de conseguir entrar. As Nações Unidas dizem estar a par da situação e esperam que os camiões consigam passar ainda hoje.

Mas antes do cessar-fogo imposto pela Rússia, já o Conselho de Segurança das Nações Unidas tinha exigido “a todas as partes do conflito que cessem as hostilidades de forma imediata” em toda a Síria, para que houvesse “uma pausa humanitária durável ao longo de pelo menos 30 dias consecutivos em toda a Síria, para assegurar a entrega segura e sem obstáculos de ajuda humanitária e de evacuações médicas para feridos e doentes graves”.

Este cessar-fogo, contudo, não se aplicava “a operações militares contra o Estado Islâmico, a al-Qaeda e a Frente Al-Nusra e outros indivíduos, grupos e entidades associados à al-Qaeda ou ao Estado Islâmico ou a outros grupos terroristas, designados como tal pelo Conselho de Segurança”. E foi precisamente com este argumento que Assad não cumpriu a diretivas da ONU.