A União Europeia (UE) quer reforçar a parceria com a Síria, mas esta iniciativa deve ser acompanhada de uma série de medidas por parte de Damasco, afirmou esta terça-feira a chefe da diplomacia do bloco europeu numa visita ao país.
Bruxelas “utiliza os seus instrumentos políticos e económicos para ajudar a Síria a avançar para uma transição inclusiva e pacífica”, afirmou Kaja Kallas numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo sírio, Assaad al-Chaibani, em Damasco.
Em 2011, a UE suspendeu a cooperação com a Síria devido à repressão dos protestos pacíficos contra o regime do antigo presidente Bashar al-Assad, que acabaram por desencadear uma guerra civil (2011-2024).
O conflito terminou com a queda, no final de 2024, do regime de Assad após uma ofensiva de uma coligação liderada pelo atual Presidente interino sírio, Ahmad al-Sharaa, que comandava o grupo islamita sírio Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham ou HTS, em árabe).
A UE decidiu, em maio passado, reativar o acordo de cooperação comercial com a Síria, para ajudar na estabilização do país e preparar o regresso dos refugiados sírios que se estabeleceram na UE durante a guerra.
“Procuramos agora mobilizar ainda mais investimentos e reforçar a nossa parceria. Mas isso depende também da parte síria”, acrescentou a chefe da diplomacia do bloco dos 27.
Kallas explicou que “os investimentos estrangeiros ou nacionais precisam de confiança, e a confiança exige segurança: regras claras, o Estado de direito, instituições eficazes, mas também a participação igualitária das mulheres na sociedade”.
“Isso passa também pela justiça de transição e pela reconciliação nacional”, acrescentou Kallas.
A Europa fará “tudo o que estiver ao seu alcance” para ajudar na reconstrução da Síria, prometeu em janeiro passado a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após se ter reunido com o Presidente sírio em Damasco.
A Comissão “já está a disponibilizar 620 milhões de euros para dar resposta às necessidades humanitárias relacionadas com a reconstrução e para reforçar as instituições”, indicou esta terça-feira a chefe da diplomacia da UE.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio sublinhou os esforços do atual executivo em restabelecer a segurança no país.
“Temos sido parceiros ativos (…) na luta contra a imigração ilegal, a droga e o tráfico de seres humanos”, declarou Assaad al-Chaibani.
“Discutimos formas de reforçar as capacidades da guarda costeira síria”, acrescentou.
Kallas referiu ainda que, através dos instrumentos de política externa da UE, os 27 já mobilizaram “51,5 milhões de euros, incluindo cerca de 18,85 milhões de euros para a remoção de minas e engenhos explosivos não detonados”.
“É evidente que a ajuda, por si só, não basta para reconstruir a Síria. O investimento estrangeiro e interno requer confiança, e a confiança requer segurança, regras claras, o Estado de direito, instituições que funcionem, mas também a participação equitativa das mulheres na sociedade. Estamos prontos para ajudar a construir as instituições, e é positivo que abordemos estes temas”, acrescentou a chefe da diplomacia da UE.
Damasco tenta agora relançar a sua economia e atrair investimentos após treze anos de uma guerra que provocou mais de 500.000 mortos e devastou as infraestruturas do país.
O regresso à estabilidade na Síria interessa também a alguns Estados-Membros da UE que acolhem centenas de milhares de sírios que fugiram da guerra.