A Lacoste, a marca de roupa francesa que se faz representar por um crocodilo, mudou de logótipo ao fim de 82 anos. Em vez do icónico réptil verde que simboliza a marca, a Lacoste associou-se à União Internacional para a Conservação da Natureza e substituiu-o pelas dez espécies em vias de extinção mais ameaçadas. O número de pólos produzido com cada um dos novos logótipos corresponde à população que ainda existe desse animal. A coleção esgotou em menos de uma semana.

Um dos animais representados nos pólos da Lacoste é a vaquita, nome mais comum dado ao marsuíno-do-golfo-da-califórnia. É um animal marinho que pesa cerca de 48 kgs, tem um metro e meio de comprimento e nada em águas pouco profundas. A população de vaquitas está reduzida a 30 indivíduos, por isso esse foi número de pólos que a Lacoste produziu com esse símbolo. A principal ameaça à sobrevivência desta espécie são as rede que os pescadores usam para recolher camarão, onde as vaquitas ficam presas. É este o animal com menos pólos produzidos.

O símbolo com mais pólos produzidos corresponde à iguana de Anegada, um réptil herbívoro da Ilha Virgem Britânica de Anegada, que pode chegar aos seis quilos e aos 60 centímetros de comprimento. É o menos ameaçado das dez espécies que cabeceiam a lista dos animais em vias de extinção: há 450 indivíduos vivos, mas estão em risco de vida porque estão a perder habitat para as quintas de criação de gado e a agricultura; e porque são um dos alimentos favoritos dos cães e gatos selvagens na ilha.

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Cada pólo custava 150 euros. De acordo com as explicações da Lacoste, metade do dinheiro revertido com esta campanha vai ser entregue à União Internacional para a Conservação da Natureza, enquanto a outra metade vai ser investida em comunicação e em ações de sensibilização sobre a proteção do ambiente. Esta campanha, que terá a duração de três anos, “não tem fins lucrativos para a Lacoste nem lhe é fonte de receita”, garante a marca.

Os pólos são unissexo e um S que corresponde ao típico S masculino da Lacoste, enquanto L corresponde ao tradicional L feminino. As camisolas, todas brancas, são maioritariamente feitas em algodão, mas o punho de manga tem 99% de afague e 1% de elastane. Tal como acontecia com o logótipo do crocodilo, os símbolos dos animais também são bordados no peito.

Esta coleção foi apresentada a 1 de março na Paris Fashion Week e esteve disponível nos Estados Unidos e em alguns países da Europa (incluindo em Portugal), mas já esgotou e já não está disponível para venda na loja online em nenhum país. Esta é a primeira vez que a Lacoste substitui o símbolo que a caracteriza desde 1936, quando adotou o crocodilo como logótipo depois de René Lacoste — um dos fundadores da marca, ao lado de André Gilliere — ter sido chamado de “Le Crocodile” (em português, “o crocodilo”) pela imprensa durante a Taça Davis. Nessa altura, a Lacoste tinha apenas três anos de vida.