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Secretário-geral do PSD mente em currículo e universidade de Berkeley acusa-o de falsificar documento

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Feliciano Barreiras Duarte, novo secretário-geral do PSD, diz no seu currículo há vários anos que foi "visiting scholar" em universidade nos EUA. Universidade nega e acusa-o de forjar documento.

Feliciano Barreiras Duarte, em 2011, na tomada de posse do primeiro governo de Pedro Passos Coelho, do qual fez parte

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte, que subiu ao cargo depois de Rui Rio se tornar presidente do PSD, incluiu durante anos no seu currículo o estatuto de visiting scholar na Universidade de Berkeley, apesar de o seu nome não constar nos registos da universidade e de nem sequer ter estado lá.

Perante esta revelação, o secretário-geral do PSD, antigo chefe de gabinete de Pedro Passos Coelho no PSD e ex-secretário de secretário de Estado adjunto de Miguel Relvas, avançou que vai corrigir essa informação.

A notícia é do semanário Sol, que entrou em contacto com a Universidade de Berkeley, que adianta não ter registo de qualquer pessoa com o nome de Feliciano Barreiras Duarte nos seus registos. “O diretor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, para os programas de Doutoramento e assuntos dos ‘visiting scholar’ percorreu todos os registos até ao ano em que Feliciano Barreiras Duarte nasceu, não tendo encontrado qualquer documentação de que alguma vez tenha sido oficialmente um ‘visiting scholar’ nesta universidade”, respondeu o gabinete de relações públicas da Universidade de Berkeley àquele jornal.

Confrontado com esta resposta, o secretário-geral do PSD partilhou ao Sol uma carta que dizia ser escrita por Deolinda Adão, diretora executiva do Programa de Estudos Portugueses e também do European Union Center. A carta não tinha o selo da universidade e estava escrita em português.

Carta apresentada por Barreiras Daurte acusada de ser “documento forjado”

Na missiva, que levava a assinatura daquela académica portuguesa, esta teria escrito “em nome da Universidade Pública University of California, Berkeley” que Feliciano Barreiras Duarte “se encontra inscrito nesta Universidade como estatuto de ‘visiting scholar’, no âmbito do seu Doutoramento em Ciência Política com a tese Políticas Públicas e Direito da Imigração”. Na mesma carta, Deolinda Adão diria que iria ser orientadora da tese do agora secretário-geral do PSD.

Porém, Deolinda Adão negou alguma vez ter escrito aquela carta que Feliciano Barreiras Duarte partilhou com o Sol. “Essa é, de facto, a minha assinatura, mas o que aí está escrito nunca foi escrito por mim. Não tenho poder nem estatuto para declarar o estatuto de ‘visiting scholar'”, disse a académica àquele jornal. “A princípio, ainda quis dar o benefício da dúvida porque recebemos muitos alunos há vários anos e poderia não ter memória deste. Mas assim não. Esse documento é forjado. Feliciano Barreiras Duarte nunca cá esteve.”

Deaolinda Adão referiu ainda que as cartas escritas por, e naquela, universidade são sempre em inglês — e não em português, como aquela que Feliciano Barreiras Duarte partilhou com o Sol.

Feliciano Barreiras Duarte invoca razões financeiras para não ir a Berkeley

Em resposta ao Sol, Feliciano Barreiras Duarte, que dá aulas na Universidade Lusófona, diz que “a carta está lá como vinda dos Estados Unidos”. “Isso deixa-me estupefacto. Aquilo existiu, como existiu a troca de correspondência”, diz.

O secretário-geral do PSD explica ainda que foi “convidado” por Manuel Pinto de Abreu (ex-secretário-de Estado no primeiro governo de Pedro Passos Coelho e também ele professor na Universidade Lusófona) para fazer investigação na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e com a Universidade de Berkeley. Porém, ao Sol, Manuel Pinto de Abreu refere que “foi desenvolvido um trabalho preparatório” para Feliciano Barreiras Duarte ser visiting scholar naquela universidade — mas que isso “acabou por oficialmente nunca se ter tornado realidade”.

Feliciano Barreiras Duarte diz ainda que nunca foi à Universidade de Berkeley por falta de dinheiro. “Quando saí do Governo, continuei a fazer investigação e não lhe escondo que, em 2014, fiz  as contas. Do ponto de vista financeiro, com filhos mais crescidos que implicam outro tipo de responsabilidades, conclui que não teria condições para estar 40 dias em Berkeley”, referindo à duração mínima de tempo que um académico deve estar naquela universidade para ser considerado visiting scholar.

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