Arnaud Beltrame, o polícia francês que se ofereceu para trocar de lugar com uma refém durante o ataque  a um supermercado em Trèbes, perto da localidade francesa de Carcassonne, morreu durante a madrugada deste sábado. O presidente Emmanuel Macron prestou homenagem ao oficial, afirmando que Beltrame “caiu como um herói” no ataque perpetrado no sudoeste de França e que merece “a admiração da nação inteira”.

O anúncio da morte do polícia, gravemente ferido durante o ataque de sexta-feira, foi feito pelo ministro do Interior francês, Gérard Collomb, no Twitter. “O tenente-coronel Arnaud Beltrame deixou-nos. Morreu pela pátria. França nunca esquecerá o seu heroísmo, a sua bravura, o seu sacrifício”, escreveu o ministro na rede social. “De coração pesado, encaminho o apoio do país inteiro à sua família, aos seus amigos e aos seus companheiros” da polícia, acrescentou.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, também reagiu à morte do oficial. No Twitter, Philippe admitiu ter ficado muito triste com a notícia da morte de Beltrame, “um homem de honra”. “O seu heroísmo marcará para sempre a nossa memória”, afirmou.

Na sexta-feira, Macron já tinha saudado particularmente “a coragem” do “oficial superior da polícia que se deu como voluntário para substituir os outros reféns e que foi muito gravemente ferido”, frisando que este “salvou vidas e honrou a sua profissão e o país”. A morte de Arnaud Beltrame eleva para quatro o número de vítimas do ataque em Trèbes.

O ex-conselheiro do Governo que tinha sido agraciado com a Legião de Honra

Enquanto Redouane Lakdim mantinha vários reféns dentro de um supermercado no sul de França esta sexta-feira, Arnaud Beltrame acabou por se tornar um herói. O tenente-coronel da Gendarmerie Nacional Francesa ofereceu-se para trocar de lugar com uma refém que o atirador estava a usar para se proteger e entrou no local do crime. O oficial de 45 anos conseguiu convencer o sequestrador a deixar sair todos os reféns — em troca da sua permanência dentro do supermercado. Redouane Lakdim acabou por disparar sobre Beltrame antes da investida policial.

Em conferência de imprensa já depois de o atirador ter sido abatido, o ministro do Interior francês saudou a “coragem” do polícia. “Foi um ato de heroísmo que é comum nos polícias que se dedicam à segurança dos nossos cidadãos”, afirmou Gérard Collomb.

Arnaud Beltrame — que ficou sozinho com o atirador durante duas horas — conseguiu manter o telemóvel ligado e com uma chamada ativa com quem comandava as operações fora do supermercado, o que permitiu às autoridades ouvir tudo o que se passava lá dentro e avançar com a investida assim que se ouviram tiros.

O jornal La Dépêche du Midi conta que, no dia 13 de dezembro de 2017, o tenente-coronel liderou um exercício de simulação de ataque terrorista em Carcassonne. Na altura, Beltrame queria colocar o batalhão que comanda à prova, contra uma ameaça provável: um assassinato em massa. Onde? Num supermercado. O treino recente pode explicar a rápida entrada das autoridades no estabelecimento e a eficaz neutralização do atirador.

[Veja no vídeo como um militar salvou os reféns e se tornou no novo herói de França]

Arnaud Beltrame, casado e sem filhos, foi em 2014 designado conselheiro do secretário-geral do Ministério da Ecologia francês. Antes disso, em 2012, já tinha sido agraciado com a Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta ordem de mérito militar em França.

Artigo atualizado às 9h45 de 24/3