Um ex-líder e negociador de paz das Forças Armadas e Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi detido na segunda-feira a pedido dos Estados Unidos, para onde pode ser extraditado, anunciou o Presidente colombiano. O ex-líder da guerrilha colombiana Suais Pausivas Hernández, conhecido como Jesus Santrich, é suspeito de estar envolvido na exportação de dez toneladas de cocaína para os Estados Unidos, no segundo semestre de 2017.

Juan Manuel Santos anunciou a detenção quando se prepara para receber no domingo, em Bogotá, o homólogo norte-americano, Donald Trump, que criticou o aumento do narcotráfico na Colômbia desde a assinatura, em finais de 2016, de um acordo de paz histórico entre o Governo de Santos e as FARC. O Presidente colombiano adiantou que não hesitará “em assinar a extradição” de Santrich, uma vez que os crimes foram cometidos após a assinatura do acordo.

O acordo de paz, assinado em novembro de 2016, prevê que nenhum ex-guerrilheiro possa ser extraditado para os Estados Unidos por delitos cometidos antes dessa data. Ivan Marquez, o principal negociador das FARC, já comentou a detenção de Santrich, sublinhando que este é, até à data, “o pior momento do processo de paz”.

O anúncio da detenção foi feito no mesmo dia em que as FARC alertaram para a “difícil reintegração de cerca de sete mil ex-guerrilheiros”. Segundo as FARC, “muitos [ex-guerrilheiros] deparam-se com situações precárias”, nomeadamente no acesso às infraestruturas de saúde e à segurança alimentar. “Sem a reintegração na vida económica, social e política do país, o processo de paz fracassará”, alertou Pablo Catatumbo, líder das FARC.

Embora não estejam a reconsiderar em voltar atrás na decisão do desarmamento, as FARC insistiram que a situação precária em que se encontram os seus ex-membros constitui uma “flagrante violação” dos acordos assinados e poderá ser motor para o surgimento de “novas formas de violência”.