Mulher de um presidente americano e mãe de outro, Barbara Bush morreu esta terça-afeira, 17 de abril, aos 92 anos. Considerada a matriarca de uma dinastia política republicana, foi a segunda mulher na história dos EUA a ter um marido (George W. H. Bush) e um filho eleitos (George W. Bush) presidentes. Abigail Adams tinha sido a primeira.

À sua imagem de marca, os brincos e os colares de pérolas, com que se tornou facilmente reconhecível quando George H.W. Bush foi eleito vice-presidente e depois presidente dos EUA, Barbara juntou depois os cabelos brancos e era vista como uma das ‘avózinhas’ da América. Depois deixar a Casa Branca, tornou-se porta-voz e defensora aguerrida dos seus dois filhos – George W. e Jeb – quando estes fizeram campanha para chegarem ao mais alto cargo dos EUA.

Considerada uma mulher de raciocínio rápido e uma língua afiada, era também uma constante mal-humorada. E foi sempre dessa forma que defendeu de forma ferrenha o marido, primeiro, e o filho, depois, tendo sido conselheira presidencial de ambos.

Barbara e George W. H. Bush tiveram seis filhos, sendo que viram morrer um deles — Robin –, de leucemia, ainda criança. Barbara manteve-se sempre ao lado do marido nos seus quase 30 anos de carreira política, desde que ele se tornou senador no Texas, embaixador da ONU, presidente do Partido Republicano, embaixador na China e diretor da CIA. Entrou na Casa Branca quando Bush se tornou vice-presidente de Ronald Reagan por dois mandatos e depois tornou-se primeira-dama quando Bush venceu as eleições em 1988. Os Bush deixaram a Casa Branca em 1993, ao perderem a reeleição para Bill Clinton.

Como primeira-dama, Barbara elegeu como uma das suas grandes causa a alfabetização do país. Uma sondagem realizada em 2014 pela NBC em parceria com o Wall Street Journal colocou Barbara como a primeira-dama mais popular dos últimos 25 anos, empatada com Hillary Clinton.

A sua morte foi comunicada pelo gabinete do seu marido, que sublinha essa sua faceta: uma “defensora implacável da alfabetização familiar”.

Doente há já alguma semanas, Barbara recusou novos tratamentos médicos e tornou público que queria passar os seus últimos dias no “conforto” da sua casa com a sua família. “Aqueles que a conhecem não ficarão surpreendidos por saber que Barbara Bush tem sido um rochedo a enfrentar a debilidade da sua saúde, precoupando-se não consigo própria, mas com os outros”, declarou o porta-voz da família, Jim McGrath.

O seu marido, George H. W. Bush, é, aos 93 anos, o ex-presidente dos EUA vivo mais velho de sempre. Sofre de doença de Parkinson e desloca-se de cadeira de rodas.

George W. Bush também já emitiu um comunicado, muito simples e sentido, sobre a morte da mãe: “Minha querida mãe faleceu aos 92 anos. Laura, Barbara, Jenna e eu estamos tristes, mas nossas almas estão tranquilas porque sabemos que a dela era também assim. Barbara Bush foi uma fabulosa primeira-dama e uma mulher  como nenhuma outra que deu amor e alfabetização a milhões “.

Bush diz ainda que a mãe “os manteve de cabeça levantada e a rir até ao fim” e termina o comunicado dizendo: “Sou um homem de sorte por ter tido Barbara Bush como mãe. A nossa família vai sentir muita a sua falta e agradecemos a todos as orações e os votos de pesar”.

Reações de Trump a Obama e Clinton

Donald e Melania Trump reagiram de imediato, evocando Barbara Bush pela sua devoção ao país e à família, mas errando na data do comunicado (o ano impresso é 2017 e não 2018).

https://twitter.com/realDonaldTrump/status/986395361815166981

“Ela será recordada pela sua forte dedicação ao país e à família, que serviu bem, sem nunca falhar”, pode ler-se no comunicado divulgado pela Casa Branca.

O ex-presidente Bill Clinton também reagiu à morte de Barbara Bush, referindo-se à ex-primeira dama como uma “mulher notável”, com “beleza e inteligência”, que sempre “deu apoio à família”.

Seguiram-se as condolências da Fundação do presidente Nixon, que falam de Barbara como “um modelo para a sociedade americana”.Tamb

Outro ex-Presidente norte-americano, Jimmy Carter, emitiu um comunicado onde destaca “o trabalho para promover a literacia” de Barbara Bush. Graças a ele, diz Carter, “um sem-número de famílias têm agora o conhecimento e as ferramentas de que necessitam para serem bem sucedidos em todos os aspetos da sua vida”.