A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) denunciou à França e à Alemanha que os Estados Unidos e a Rússia estão a tentar interferir nas eleições do país deste fim de semana, avançam fontes e documentos obtidos pela Reuters.
A denúncia foi feita numa reunião com uma delegação francesa e alemã que esteve em Brasília entre os dias 9 e 11 deste mês, no âmbito de negociações para a implementação do Regulamento europeu dos Serviços Digitais, que prevê uma regulação mais rígida para combater desinformação.
A alegada interferência norte-americana varia “desde a instrumentalização do sistema judicial até uma ingerência abertamente reconhecida”, enquanto não se conhecem as ações de alegada ingerência russa.
As tentativas de interferência, sobretudo por parte dos Estados Unidos, têm sido largamente denunciadas pelo Presidente do Brasil, Lula da Silva, e constam num relatório da Abin revelado a 19 de setembro, como noticiado pelo jornal O Globo. No seu discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, a 22 de setembro, Lula criticou as alegadas tentativas de ingerência e afirmou que o país “não cabe no quintal de ninguém”, referindo-se ao que vê como sendo uma “campanha de pressão” por parte de Donald Trump contra o país.
Washington impôs tarifas a vários produtos brasileiros e sancionou o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que participou num processo judicial contra o antigo Presidente Jair Bolsonaro. Moraes foi sancionado em agosto de 2025 por “violações graves contra os direitos humanos ou corrupção”. Além disso, os Estados Unidos classificaram em maio deste ano organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas globais”.
Tanto Washington como Moscovo não responderam à notícia, mas negaram anteriormente tentativas de interferências no ato eleitoral. No caso dos Estados Unidos, 31 congressistas democratas pediram na quinta-feira ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para que o país não interfira nas eleições após mostrarem preocupação com o que consideram ser uma “campanha de pressão” contra o Brasil, em matéria comercial e política.
Já a Alemanha e a França confirmam que estiveram em Brasília, mas os representantes alemães negam que a alegada tentativa de interferência por parte dos Estados Unidos tenha sido discutida.
Da parte da França, estiveram representantes da Viginum, uma agência de combate à desinformação estrangeira, e do regulador de comunicação Arcom, enquanto a Alemanha esteve representada pela Agência Federal de Redes, que é a entidade reguladora das comunicações do país.
O Brasil vai a eleições no próximo domingo, dia 4 de outubro. O Presidente Luís Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, são os candidatos melhor posicionados nas sondagens.
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