O (ainda chamado) Santander Totta fechou o primeiro trimestre com lucros de 130,5 milhões de euros, mais 5% do que no período homólogo, informou o banco esta segunda-feira. O banco ainda assume a designação de Santander Totta mas este nome vai ser alterado “progressivamente” para Santander Portugal, informou o banco há algumas semanas.

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, o presidente da comissão executiva, António Vieira Monteiro, manifestou-se “preocupado” com a recente injeção de capital no Novo Banco, por parte do Fundo de Resolução. “Olhamos, algumas vezes, com alguma preocupação para os números que nos são apresentados”, afirmou Vieira Monteiro. “Ainda estamos no primeiro ano, portanto para já damos o benefício da dúvida — mas o presidente do banco [António Ramalho] diz que se calhar ainda vai utilizar mais portanto vamos estar atentos”, atirou o presidente do Santander Totta.

O que Vieira Monteiro critica é que “o banco perdeu muito dinheiro, enquanto banco de transição, e continua a perder muito dinheiro”. “Agora, que é um banco normal, que tem as mesmas condições que têm os outros, vir apresentar esse prejuízo e ir buscar logo no primeiro ano tanto dinheiro, é algo que nos preocupa o que se está a passar“, notou Vieira Monteiro, acrescentando que “disse logo no primeiro dia que não achava bem que o Fundo de Resolução continuasse como sócio” e não comprar apenas 75% do banco.

Margem financeira dispara 35% após integração do Banco Popular

A integração do Banco Popular, que foi alvo de resolução e cujas operações de retalho em Portugal foram adquiridas pelo Santander, foi um dos fatores que ajudaram a que a margem financeira do banco subisse quase 35%, de 172 milhões para 231 milhões de euros. Este é o indicador mais importante que reflete a diferença entre aquilo que o banco paga para se financiar (depósitos, etc.) e aquilo que recebe de remuneração de créditos.

Para esta margem financeira (estrita) contribuíram o aumento de 10,2% do valor total cobrado em comissões (94 milhões), além da margem comercial comum, que ascendeu mais de 24% para 309,9 milhões. A integração do Popular trouxe cerca de 5,5 milhões de euros em crédito, pelo que cerca de 3,5 milhões de euros é crescimento orgânico do Santander, explicou António Vieira Monteiro. O produto bancário subiu 11% para 318,8 milhões.

Em parte graças à integração do Popular, o banco aumentou a concessão de crédito a particulares em 12,9% e às empresas em 46%, para 21,5 milhões de euros (crédito bruto) e 19,2 milhões, respetivamente.

“O crescimento nas empresas tem sido evidente, um crescimento cada vez maior”, afirmou António Vieira Monteiro, aos jornalistas. Ainda assim, “a procura de crédito continua abaixo dos níveis abaixo que são necessários, mas nós temos aproveitado muito bem o crédito que tem havido — o que não quer dizer que esteja aos níveis que gostaríamos” crédito.

Quanto à habitação, o presidente-executivo do banco defende que “ainda estamos longe dos níveis anteriores”. É certo que “assistimos a um movimento mas os números que temos hoje não se comparam com o que havia antes da crise. Se antes fazíamos mais de 300 milhões de euros em crédito à habitação por mês, hoje faz-se menos de 200 milhões”.

Vieira Monteiro reconhece, contudo, que “os preços em determinadas áreas das cidades de Lisboa e Porto, tem disparado, e isso tem influenciado todos os outros preços, mesmo na periferia”. Não considerando a situação atual preocupante, o presidente do Santander Totta diz-se “inteiramente de acordo” com os alertas que têm sido feitos pelo Banco de Portugal. “O crédito tem de ser dado obedecendo a determinados princípios, que já cumprimos há muito tempo, portanto concordamos e o BdP está a cumprir as suas obrigações”.

Em especial, no crédito ao consumo “as pessoas sentem maior confiança portanto pedem mais crédito mas os valores globais ainda estão em níveis razoáveis, ainda não estão na linha vermelha”. “Mas tem de ser visto com atenção”, remata António Vieira Monteiro.

Santander Totta contra proposta para refletir juros negativos nos empréstimos

O presidente executivo do Santander Totta disse hoje que é contra a proposta do Bloco de Esquerda que passa por refletir os juros negativos nos empréstimos à habitação, considerando que, se assim fosse, mais valia fecharem os bancos.

“Não concordamos” com a proposta que está no parlamento, afirmou António Vieira Monteiro, quando questionado pelos jornalistas na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do Santander Totta relativos ao primeiro trimestre do ano.

“Se chegarmos a uma situação em que somos nós a ter que pagar o crédito quando do ponto de vista dos depósitos estamos proibidos de cobrar juros aos clientes, não percebo como é que podemos funcionar. Então, fechem os bancos”, disse o presidente do Santander.

Vieira Monteiro defendeu que refletir os juros negativos nos empréstimos seria o mesmo que “vender o pão pagando mais caro pela farinha”.

O PS anunciou em 22 de março ter chegado a acordo com o Bloco de Esquerda para que os clientes de bancos sejam beneficiados com um crédito de juros relativo à totalidade do período em que a Euribor seja negativa. Na altura, o porta-voz do PS, João Galamba, referiu que a legislação não terá efeitos retroativos após entrar em vigor.

Se o diploma for aprovado pelo parlamento, cria-se um crédito de juros do cliente bancário, que será abatido apenas quando os juros subirem e passarem a ter um valor positivo. Desta forma, os bancos não terão agora de pagar uma pequena parte dos empréstimos. “Esta solução não expõe os bancos a uma perda imediata, mas garante que, quando os juros subirem – e os bancos já tiverem um juro positivo a cobrar -, o crédito anteriormente constituído abate a esse juro”, sustentou o porta-voz dos socialistas.

Santander Totta reduziu 50 trabalhadores no primeiro trimestre

O presidente executivo do Santander Totta disse hoje que no primeiro trimestre saíram do banco cerca de 50 trabalhadores, por acordo mútuo ou por reforma, e que houve seis fusões de balcões, recusando ter metas de redução de pessoal.

António Vieira Monteiro recusou haver despedimentos no banco e frisou que na política de balcões, o Santander não procedeu a alterações nem vai proceder, referindo que houve “fusões” e “integrações”, já que atualmente o Santander “é um aglomerado de bancos”.

“O que fazemos são fusões de balcões” e as reduções de pessoal “fazem-se por acordo ou por reformas”, afirmou o presidente executivo do Santander na apresentação de resultados relativos ao primeiro trimestre, em Lisboa, garantindo que “não há plano de despedimentos”.

Segundo disse, nos primeiros três meses do ano saíram por estas duas vias “cerca de 50 trabalhadores” e registaram-se “seis fusões” de balcões.