Entre os Globos de Ouro portugueses e a Gala do Metropolitan Museum de Nova Iorque ainda vai um bocado, exceto na cabeça de algumas pessoas. Extravagâncias não se discutem, mas os gostos sim, embora isso contrarie tudo o que sempre nos ensinaram. Olhando para a noite do último domingo, é este o ponto de situação: quem esteve bem não esteve espetacular, quem parou o trânsito não o fez necessariamente pelos melhores motivos.

A começar por Sandra Barata Belo, cujo visual é digno de qualquer primeiro parágrafo. A indumentária era de tal maneira cheia de particularidades que, provavelmente, ainda agora a atriz procura um ângulo fotográfico favorável. Isso e o autor da peça (acreditando, pelo menos, que o fato era inteiriço e, por isso, uma admirável obra de engenharia). Estamos perante uma espécie de ressurreição de João Rôlo, ele que vestiu, e bem, Daniela Ruah na final da Eurovisão e que, na mesma passadeira vermelha deste domingo ainda presenteou todo o mundo com mais duas criações: os vestidos da atriz Patrícia Bull e da apresentadora do Fama Show Catarina Sikiniotis.

Depois, há o campeonato da provocação, da racha avantajada e do decote profundo, e esse já tem lugares cativos. Para mais esclarecimentos, o melhor é passar nos guichés de Luciana Abreu e de Dânia Neto, se bem que Ana Rita Clara e o seu visual mulher Ferrari, com alguma classe, entenda-se, andou lá muito perto também.

E o que seria da passadeira vermelha dos globos sem as princesas? Ainda por cima, com a edição deste ano a acontecer em plena ressaca de um casamento real. Raquel Strada ganhou, a modelo Raquel Sampaio bem que podia ter escolhido algo menos austero, a jornalista Ana Patrícia de Carvalho estava prontinha para um serão na ópera, só lhe faltavam as luvas de cetim e a tiara. Inês Castel-Branco atirou para mais alto e quis ser a rainha do baile. O recorde de diâmetro de vestido ninguém lhe tira, só ficámos com a sensação de já ter visto aquele quadro em qualquer lado. Como sempre na vida, fomos ao Twitter, e fez-se luz.

Cláudia Vieira fez-lhe frente, não nos metros quadrados ocupados, mas na atenção dos fotógrafos. Unidas pelo pelo mesmo criador, Luís Carvalho, mas também pelo mesmo tecido lustroso, pararam o trânsito. O mesmo designer, mas num registo diferente, vestiu também Sofia Cerveira, uma diva de branco com joias douradas. Um clássico, portanto.

Ficou alguma coisa por dizer? Três e a primeira diz respeito a Sara Matos. Havia qualquer coisa a mais ali e, embora as mangas volumosas sejam a opção mais fácil na hora de atribuir culpas, é possível que tenham sido as riscas a trair o arranjo final. A segunda tem a ver com o vestido de Margarida Vila-Nova, que, atenção, não tem mal nenhum, apenas nos remeteu imediatamente para os modelitos usados por Filomena Cautela na final da Eurovisão (e ainda há quem diga que não foi marcante). Por fim, uma vénia a Raquel Prates. Quando qualquer outra mulher à face da terra desapareceria dentro daquelas lantejoulas fúcsia, ou, no limite, ficaria muito ridícula, ela dá a volta a tudo e faz com que tudo pareça ter sido feito a pensar nela. Mais uma vez, ensinaram-nos mal: querer não é suficiente, há coisas que são só para quem pode.