Jornalismo

Julgado em Angola, Rafael Marques recebe prémio Herói Mundial da Liberdade de Imprensa

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Alvo de acusações de injúria no seu país, o jornalista angolano é o 70.º Herói Mundial da Liberdade de Imprensa, prémio entregue pelo IPI. Enfrentou "repressão sistemática", aponta o instituto.

Rafael Marques correu "grande risco pessoal" com os seus trabalhos de investigação ao poder angolano, refere o instituto que agora o premeia

Joao Relvas/LUSA

Rafael Marques, jornalista e ativista angolano, é o mais recente vencedor do prémio Herói Mundial da Liberdade de Imprensa, atribuído anualmente pelo Instituto Internacional da Imprensa (IPI). O prémio é entregue num momento em que Rafael Marques é alvo de acusações de injúria no seu país, pela publicação de uma investigação que, em novembro de 2016, ligava o então Procurador-Geral da República (PGR) angolano, João Maria de Sousa, a um caso de corrupção.

Sinto-me honrado porque este prémio vem num momento em que estou a ser julgado por expor corrupção de altas instâncias, enquanto o presidente Lourenço afirma estar a lutar contra isso. No entanto, é inadequado receber receber um prémio internacional por fazer o trabalho básico de expor os males do meu próprio país a fim de corrigi-los para o bem comum”, afirmou Rafael Marques, em comunicado.

Também à imprensa, a diretora executiva do IPI, Barbara Trionfi, destacou os feitos de Rafael Marques.”Correndo grande risco pessoal” e enfrentando até a “repressão sistemática dos meios independentes em Angola”, o jornalista tem vindo a conseguir “incidir uma luz no abuso de poder ao nível mais elevado com coragem e persistência”, afirmou a responsável.

“Através dos seus artigos, livros e pesquisa, o senhor Marques tem levado a cabo o tipo de jornalismo de vigilância que os meios controlados pelo Estado do país não conseguem concretizar, proporcionando um serviço essencial ao público angolano e à comunidade internacional”, acrescentou Barbara Trionfi.

O prémio será entregue a 22 de junho em Abuja, na Nigéria, durante o Congresso Mundial e Assembleia Geral anual do Instituto Internacional da Imprensa (IPI). O galardão destaca jornalistas cuja contribuição para a promoção da liberdade de imprensa é relevante e é entregue habitualmente a profissionais que o fazem em territórios adversos a essa missão, assumindo riscos pessoais por fazê-lo.

Rafael Marques iniciou a sua carreira em 1992 no “Jornal de Angola”, o jornal estatal do país. Acabaria demitido desse órgão por não estar alinhado com a linha editorial defendida pelo regime. Posteriormente, o jornalista escreveu e publicou em meios independentes, criando em 2008 o site Maka Angola, dedicado a investigar casos de corrupção nas esferas política, económica e militar de Angola.

Rafael Marques é ainda autor do livro “Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola” e já foi detido pelo regime angolano. É o primeiro cidadão deste país a receber o prémio, já entregue a mais dois jornalistas lusófonos: o português Nuno Rocha e o brasileiro Júlio de Mesquita Neto.

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