Rádio Observador

Jornalismo

Julgado em Angola, Rafael Marques recebe prémio Herói Mundial da Liberdade de Imprensa

245

Alvo de acusações de injúria no seu país, o jornalista angolano é o 70.º Herói Mundial da Liberdade de Imprensa, prémio entregue pelo IPI. Enfrentou "repressão sistemática", aponta o instituto.

Rafael Marques correu "grande risco pessoal" com os seus trabalhos de investigação ao poder angolano, refere o instituto que agora o premeia

Joao Relvas/LUSA

Rafael Marques, jornalista e ativista angolano, é o mais recente vencedor do prémio Herói Mundial da Liberdade de Imprensa, atribuído anualmente pelo Instituto Internacional da Imprensa (IPI). O prémio é entregue num momento em que Rafael Marques é alvo de acusações de injúria no seu país, pela publicação de uma investigação que, em novembro de 2016, ligava o então Procurador-Geral da República (PGR) angolano, João Maria de Sousa, a um caso de corrupção.

Sinto-me honrado porque este prémio vem num momento em que estou a ser julgado por expor corrupção de altas instâncias, enquanto o presidente Lourenço afirma estar a lutar contra isso. No entanto, é inadequado receber receber um prémio internacional por fazer o trabalho básico de expor os males do meu próprio país a fim de corrigi-los para o bem comum”, afirmou Rafael Marques, em comunicado.

Também à imprensa, a diretora executiva do IPI, Barbara Trionfi, destacou os feitos de Rafael Marques.”Correndo grande risco pessoal” e enfrentando até a “repressão sistemática dos meios independentes em Angola”, o jornalista tem vindo a conseguir “incidir uma luz no abuso de poder ao nível mais elevado com coragem e persistência”, afirmou a responsável.

“Através dos seus artigos, livros e pesquisa, o senhor Marques tem levado a cabo o tipo de jornalismo de vigilância que os meios controlados pelo Estado do país não conseguem concretizar, proporcionando um serviço essencial ao público angolano e à comunidade internacional”, acrescentou Barbara Trionfi.

O prémio será entregue a 22 de junho em Abuja, na Nigéria, durante o Congresso Mundial e Assembleia Geral anual do Instituto Internacional da Imprensa (IPI). O galardão destaca jornalistas cuja contribuição para a promoção da liberdade de imprensa é relevante e é entregue habitualmente a profissionais que o fazem em territórios adversos a essa missão, assumindo riscos pessoais por fazê-lo.

Rafael Marques iniciou a sua carreira em 1992 no “Jornal de Angola”, o jornal estatal do país. Acabaria demitido desse órgão por não estar alinhado com a linha editorial defendida pelo regime. Posteriormente, o jornalista escreveu e publicou em meios independentes, criando em 2008 o site Maka Angola, dedicado a investigar casos de corrupção nas esferas política, económica e militar de Angola.

Rafael Marques é ainda autor do livro “Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola” e já foi detido pelo regime angolano. É o primeiro cidadão deste país a receber o prémio, já entregue a mais dois jornalistas lusófonos: o português Nuno Rocha e o brasileiro Júlio de Mesquita Neto.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: gcorreia@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)