O ativista angolano Rafael Marques de Morais é homenageado na quarta-feira, em Washington, pela sua luta contra a corrupção numa cerimónia do National Endowment for Democracy em que discursa o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Paul Ryan.

“O Rafael representa o espírito deste prémio. Trabalhou como jornalista de investigação durante muitos anos, expondo as práticas corruptos do governo em Angola, e partilhando com os seus concidadãos e com o mundo o custo da corrupção em Angola”, disse à Lusa o presidente da organização, Carl Gershman.

O responsável disse que o portal de Rafael Marques na Internet, o Maka Angola, “é um líder do jornalismo de investigação, conhecido pelas suas importantes notícias e análises” e que “apesar do assédio constante e de ter sido preso varias vezes, Rafael continua a expor a corrupção e abusos de direitos humanos em Angola”.

“Continua implacavelmente otimista e concentrado numa abordagem estratégia que maximize a eficiência das suas ações”, explicou Gershman à Lusa.

O jornalista é um dos cinco homenageados que vai receber o “prémio democracia”, que distingue também Khalil Parsa, do Afeganistão, um ativista de direitos humanos que sobreviveu a uma tentativa de assassinato em que foi atingido seis vezes, Claudia Escobar, uma juíza da Guatemala que denunciou um caso de corrupção envolvendo o Presidente do país e um líder parlamentar, Cynthia Gabriel, fundadora de uma organização anticorrupção na Malásia, e Denys Bihus, que lidera um grupo de jornalistas de investigação na Ucrânia.

Além de Paul Ryan, discursa também na cerimónia a líder dos Democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e entregam os prémios os congressistas Karen Bass, Peter Roskam, Ed Royce, Mario Diaz-Balart e Norma Torres.

Antes da cerimónia, Rafael Morais e os outros homenageados participam num evento com o tema “Contabilizar o custo: o impacto da corrupção no crescimento da democracia e estabilidade”, com a participação do senador Ben Cardin.

“Em todo o mundo, indivíduos e organizações corajosas estão a pedir aos seus governos e representantes que sejam responsabilizados. Os movimentos de cidadãos estão a crescer e a exigir transparência e boa governação, frequentemente em resposta ao trabalho corajoso destes cinco homenageados, que arriscaram as suas carreiras, a sua liberdade e as suas vidas para denunciar a corrupção e as suas terríveis consequências”, disse o presidente da organização.

O National Endowment for Democracy foi criado há 34 anos para promover instituições democráticas em todo o mundo e está hoje presente em 90 países.