Um comunicado, dez parágrafos, a grande surpresa. A saída de Frederico Varandas da direção e coordenação do departamento médico do Sporting já era apontada por muitos como um caminho mais do que provável, mas o antigo responsável não se ficou por aí e anunciou que está também disponível para liderar uma nova solução para o comando do clube. Em declarações ao Observador, Varandas detalhou o momento em que tomou a decisão e as razões que o conduziram a este desafio.

“Tomei esta decisão no relvado do Jamor, quando estavam todos os jogadores sentados no relvado enquanto o Desp. Aves ia levantar a taça na Tribuna e estava a caminhar naquela zona”, explicou o médico de 38 anos, que protagonizou um dos momentos mais marcantes do pós derrota quando abraçou um Rui Patrício incapaz de controlar as lágrimas.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

“Esta decisão está relacionada com aquilo que considero ser a degradação que fui assistindo nas últimas semanas e meses dos valores que o Sporting Clube de Portugal representa, que estão muito além dos resultados desportivos e que têm a ver com a dignidade e com a transparência. Houve um ruir de todo um legado de Bruno de Carvalho que me orgulho de ter feito, porque os sócios voltaram a ter voz ativa na vida do clube”, prosseguiu, numa visão que já tinha sido partilhada no comunicado onde especificou alguns pontos como “a valorização das modalidades, o aumento da exigência e da ambição competitiva do futebol profissional, a concretização do Pavilhão João Rocha, a atenção aos núcleos e a dinamização de associados e adeptos”.

[Veja no vídeo quem é Frederico Varandas, provável candidato à presidência do Sporting]

https://youtu.be/i91MQdZw1mo

Em relação ao momento considerado por muitos como “o dia D”, onde deverá sempre haver uma solução em termos de crise diretiva e institucional que os leões atravessam, Frederico Varandas salientou que, “na qualidade de sócio, este é sobretudo o momento de dar voz aos associados”. “Se não for agora, quando será? De que forma, não é o mais importante, mas temos de ouvir os sócios que são o maior património deste clube”, destacou, prosseguindo: “Há momentos na vida que definem as pessoas e há momentos que não posso ignorar. Não consigo nem posso assistir a este estado de guerra civil”.

Médico do Sporting assume candidatura à liderança do clube. Frederico Varandas demitiu-se da coordenação do departamento médico

Por fim, o antigo responsável do departamento médico do Sporting abordou também a possibilidade que continua a ser falada em termos públicos de haver rescisões unilaterais de contrato a breve prazo. “Sinceramente não sei em que patamar estamos, se já aconteceu ou se foi alguma coisa entregue. Sei, isso sim, que se alguém conseguirá inverter isso serei eu”, concluiu.