O ex-presidente da República Aníbal Cavaco Silva assumiu ser contra a legalização da eutanásia e defendeu os argumentos do CDS sobre o voto contra. Em declarações à Rádio Renascença, Cavaco Silva disse que defender a eutanásia “é a decisão mais grave” que os deputados podem tomar. A opinião do ex-presidente da República é tão vincada que admitiu não votar em qualquer partido que apoie a legalização da eutanásia nas legislativas do próximo ano.

O ex-líder social-democrata afirma que vai “fazer uso do direito ao voto contra aquelas que votarem a favor da eutanásia”: “Como cidadão, sem responsabilidades políticas, o que posso fazer para manifestar a minha discordância é fazer uso do meu direito ao voto contra aquelas que votarem a favor da eutanásia. Nas eleições legislativas de 2019 não votar nos partidos que apoiarem a legalização da eutanásia e procurar explicar àqueles que me são próximos para fazer a mesma coisa”, disse Cavaco Silva em entrevista.

Isto significa que Cavaco Silva pode não vir a votar no partido que já liderou: “Estando em causa a defesa do primado da vida humana, entendi que devia fazer uso das duas armas que me restam como cidadão: a minha voz, não ficando calado, e o meu direito de voto na escolha dos deputados nas próximas eleições legislativas”, explica.

O PSD, tal como o PS, dão liberdade de voto por isso cada deputado pode manifestar o que defende em parlamento. E apesar de a maioria dos deputados sociais-democratas estarem contra a eutanásia, Rui Rio já disse ser a favor da e assinou o manifesto que originou o debate em redor do tema. Já o CDS e o PCP anunciaram que vão votar contra a legalização, algo com que Cavaco Silva concorda: “Como podem os deputados ignorar o parecer dos profissionais de saúde, os enfermeiros e os médicos que lidam com a vida e com a morte? Como podem ignorar o parecer do conselho nacional de ética para as ciências da vida? Como podem os deputados ignorar a posição das várias religiões em que os portugueses se reveem e que se juntaram para condenar a legalização da eutanásia?”, questiona.