Se não for desta provavelmente nunca mais será. Se o monstro de Loch Ness existe ou existiu no lago escocês não vai haver forma de se esconder. Os investigadores preparam-se para analisar todos os pedaços de material genético que encontrarem. Caso não encontrem sinais de Nessie, o monstro, pelo menos poderão recolher dados biológicos importantes.

Os trabalhos começaram em abril deste ano liderados por Neil Gemmell, geneticista da Universidade de Otago (Nova Zelândia), conta a National Geographic. Primeiro foram feitas as recolhas de água no lago. Em junho, a equipa vai começar a extrair ADN das cerca de 300 amostras recolhidas à procura de sinais genéticos que possam ser atribuídos ao animal que deu origem à lenda.

“Entro nisto a pensar que é pouco provável que ali exista um monstro, mas quero testar essa hipótese. O que vamos conseguir é uma pesquisa boa sobre a biodiversidade do lago Ness”, disse Neil Gemmell, citado pelo The Guardian. “Procurar evidências da existência do monstro de Loch Ness é o gancho deste projeto, mas há uma quantidade extraordinária de conhecimento que vamos conseguir com este trabalho sobre os organismos que vivem no lago Ness.”

A equipa espera ter resultados até janeiro de 2019. E mesmo que não descubram qualquer ligação a Nessie, vão conseguir apresentar o ADN ambiental do lago, uma nova área de investigação que pretende estudar o material genético que os animais deixam para trás, como dejetos, muco, pele, pelos ou carcaças.

Com este trabalho, os investigadores podem encontrar novas espécies de bactérias, por exemplo; confirmar se o lago tem espécies invasoras, como o salmão-rosa-do-pacífico; ou verificar se existem peixes-gato ou esturjões, apontados como as espécies que podem ter iludido as pessoas que dizem ter visto o monstro de Loch Ness.

O monstro do pescoço comprido

O primeiro registo de avistamento do animal — que poderia ser o monstro de Loch Ness ou não — data do séc. VI e refere-se a um acontecimento do século anterior de um homem que nadava no lago e que terá sido apanhado. A partir dos anos 1930, os relatos começaram a ser mais frequentes — tendo atualmente ultrapassado os mil —, o que fez com que houvesse uma grande campanha de investigação. Durante 10 anos, entre os anos 1960 e 1970, o Gabinete de Investigação do Fenómeno de Loch Ness dedicou-se a procurar a criatura sem nunca ter encontrado nenhuma prova de que esta existisse.

Em 2003, a BBC financiou um projeto de investigação para procurar uma eventual espécie de plesiossauro (um réptil marinho do tempo dos dinossauros) que tenha sobrevivido à extinção e a milhares de anos de evolução. Os investigadores usaram 600 feixes de sonar e realizaram rastreios por satélite, mas nunca encontraram nenhuma criatura desse tipo.

Em 1934, foi, alegadamente, tirada uma fotografia ao monstro de Loch Ness. Rapidamente se tornou uma das mais icónicas imagens sobre o tema. Mais tarde, o autor da fotografia revelou que tinha sido uma fraude criada com alguns amigos — Keystone/Getty Images

Mais tarde, já em 2016, o interesse no fenómeno por explicar cresceu depois de uma imagem de sonar ter detetado no fundo do lago algo que se assemelhava, em forma, às descrições feitas do monstro. Afinal não era mais do que uma embarcação naufragada usada durante as filmagens do filme “A vida privada de Sherlock Holmes” (“The Private Life of Sherlock Holmes”), em 1970.

Neil Gemmell, de 51 anos, duvida que haja qualquer monstro, mas para os seus filhos de sete e 10 anos é o trabalho mais fixe que alguma fez. O investigador acredita que, mesmo que demonstre que o monstro não existe, os crentes vão continuar a acreditar. Conforme citou a Associated Press, os crentes já lhe ofereceram histórias alternativas: que Nessie foi de férias para o mar depois de nadar através de caves subaquáticas ou que a criatura é extraterrestre e não deixa vestígios de ADN.