Não é habitual Fernando Medina destoar deste Governo, mas o dirigente socialista foi duro com o Executivo sobre a nova proposta de fundos comunitários para Portugal. O autarca e dirigente do PS disse esta quarta-feira, no programa da Renascença “Casa Comum”, que a proposta da Comissão Europeia “não é positiva para Portugal” e que o Governo “deve adotar um tom muito firme”. Já Paulo Rangel, no mesmo programa, critica o Governo, mas também Carlos Moedas e Marcelo Rebelo de Sousa.

Pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, o governo classificou a última proposta da Comissão Europeia como “um progresso”, resultado do “trabalho construtivo” junto de Bruxelas face a um ponto de partida considerado “mau”.

Fernando Medina mostrou não partilhar da mesma visão e exige ao executivo “uma atitude de grande combatividade” nas negociações. Para o socialista o Governo português “tem sido muito claro” a “partilhar as responsabilidades de financiamentos adicionais com a União Europeia” e por isso tem “autoridade para chegar à Europa e dizer de outra forma” num assunto que é “absolutamente fundamental” para o país. E lembra: “Aquilo que estamos hoje aqui a decidir vai ditar muito daquilo que são os recursos do país para a próxima década porque 80% do investimento público depende destes fundos comunitários”.

Paulo Rangel também não poupou nas críticas ao Governo, mas estendeu-as também a Marcelo Rebelo de Sousa e ao comissário português Carlos Moedas: “Estou bastante perplexo com a reação do Governo português, da Comissão, mesmo do comissário português, e do Presidente da República. Não é aceitável que nós tenhamos a Espanha a subir 5%, a Itália a subir 6%, a Grécia a subir 8% e Portugal descer 7%”.

Tal como o governo, também o comissário Carlos Moedas desvalorizou a quebra de 7%, dizendo que Portugal poderia ter tido um corte mais de três vezes superior: “O corte foi de 10% em geral para todos, portanto Portugal teve um corte inferior à média. Quando eu digo que o resultado é bom, ele é bom exatamente porque se tivéssemos ficado no método antigo, só do Produto Interno Bruto (PIB) ‘per capita’, Portugal tinha tido um corte de 30%. Portanto, fomos de 30% de corte para um corte apenas de 7% e eu penso que isso é um bom resultado, é um bom ponto de partida.”

Paulo Rangel diz que “os argumentos da comissão não têm sentido porque em termos de PIB per capita, Portugal está 10/12 pontos abaixo da Espanha, 17/18 pontos abaixo da Itália, está mesmo ainda abaixo da Grécia”. E questiona: “Como é que um país que é mais pobre perde 7%?”

O eurodeputado português critica o facto de Portugal começar com “paninhos quentes na negociação a dizer que é um bom ponto de partida”, quando este “não é um bom ponto de partida”. Quanto ao facto da proposta ser melhor que a anterior, Rangel diz que não passa de “uma tática” de “colocar um cenário catastrófico para ver se se aceita um cenário mau”.