Rádio Observador

Comércio Externo

Europa reage à decisão dos EUA e classifica recuo na isenção como “ilegal” e “injustificável”

Alemanha e França estão entre as primeiras vozes europeias que reagiram à decisão norte-americana, hoje divulgada, de suspender a isenção de taxas na importação de aço e de alumínio da União Europeia.

CARSTEN KOALL / POOL/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Alemanha e França estão entre as primeiras vozes europeias que reagiram à decisão norte-americana, hoje divulgada, de suspender a isenção de taxas na importação de aço e de alumínio da União Europeia, qualificando a medida como “ilegal” e “injustificável”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que hoje terminou uma visita de dois dias a Portugal, considerou “ilegais” as taxas aduaneiras sobre o aço e o alumínio decididas pela administração norte-americana liderada pelo Presidente Donald Trump, advertindo ainda para o risco de uma escalada.

“O governo alemão rejeita [as taxas]. Acreditamos que são ilegais”, referiu a líder alemã, num comunicado, acrescentando que a decisão de instaurar tal medida implica “um risco de uma espiral que poderá conduzir a uma escalada que, no final, será prejudicial para todos”.

Momentos antes, o Governo alemão, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, já tinha advertido que a resposta a uma “América primeiro” será uma “Europa unida”.

“As guerras comerciais não conhecem vencedores”, salientou.

Do lado de Paris, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Baptiste Lemoyne, qualificou as taxas norte-americanas como “injustificáveis e insustentáveis” e pediu a Bruxelas para responder com medidas preventivas e de “reequilíbrio”.

“A França desaprova estas medidas injustificáveis e insustentáveis”, declarou, aos jornalistas, à margem da reunião anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em Paris, afirmando que os Estados Unidos apresentaram uma “má resposta” perante “a urgência de refundar o comércio internacional”.

Também o Reino Unido reagiu e declarou estar “profundamente dececionado” com a decisão norte-americana.

“O Reino Unido e outros países da União Europeia [UE] são aliados próximos dos Estados Unidos e deviam estar total e permanentemente isentos das medidas norte-americanas sobre o aço e o alumínio”, disse o porta-voz do Governo britânico.

“Queremos deixar claro para o Governo dos Estados Unidos, aos mais altos níveis, a importância do aço e do alumínio britânicos para as suas empresas e projetos de Defesa”, acrescentou a mesma fonte, expressando a intenção de Londres, em processo de saída da UE, de continuar “a trabalhar de forma próxima com as administrações europeias e norte-americana” a fim de conseguir “uma isenção permanente que assegure que os trabalhadores britânicos estejam protegidos”.

O presidente do Parlamento Europeu, o italiano Antonio Tajani, manifestou-se “dececionado”, referindo que a UE vai responder com “todas as ferramentas” à sua disposição.

“Apoiamos os nossos trabalhadores e a indústria europeia e vamos responder com todas as ferramentas disponíveis para defender os nossos interesses”, escreveu Tajani, numa mensagem na rede social Twitter.

Antes, a UE já tinha anunciado que vai denunciar perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) a decisão norte-americana de suspender a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio, garantindo igualmente de que irá responder de forma “proporcional”.

“Os Estados Unidos não nos deixam agora outra escolha que não seja a de recorrer à resolução de litígios da OMC e à imposição de tarifas adicionais sobre diversas importações dos EUA. Vamos defender os interesses da União em total cumprimento da lei comercial internacional”, declarou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O Departamento do Comércio norte-americano anunciou hoje a suspensão da isenção dos direitos de importação de aço e alumínio da UE, Canadá e México, numa decisão que dispara as tensões comerciais e provocará represálias dos parceiros.

“Decidimos não estender a exceção para a União Europeia, Canadá e México, pelo que estarão sujeitos a tarifas de 25% e 10%” na importação de aço e alumínio”, respetivamente, indicou o secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Crescimento Económico

Como vai o motor da nossa economia?

Luís Ribeiro

Estamos a viver “à sombra da bananeira” de uma alta imobiliária que alguns consideram já ser mais uma “bolha” do que um “boom”. É uma ilusão que se esfuma facilmente e é incapaz de arrastar a economia

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)