A hora e o local da conferência demorou a ser divulgada, mas os cinco membros  demissionários da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, bem como quase toda a nova Comissão de Fiscalização nomeada por Jaime Marta Soares para cumprir de forma transitória o papel do Conselho Fiscal e Disciplinar, apresentaram-se aos sócios conforme prometido numa conferência realizada ao final da tarde numa unidade hoteleira em Lisboa. Três ideias fundamentais: a Assembleia Geral Extraordinária no dia 23 vai mesmo realizar-se, tendo mesmo avançado com uma providência cautelar para que a reunião magna avance; a Comissão de Fiscalização por si nomeada está em funções e já recebeu uma participação disciplinar; e espera que o Conselho Diretivo providencie não só os requisitos necessários para a realização da AG bem como os documentos necessários à Comissão de Fiscalização.

“A razão para estarmos aqui hoje é reafirmar a vontade de dar a palavra aos sócios através de uma Assembleia Geral Extraordinária, apesar da informação contrária e intoxicação do presidente através dos meios do clube. É a vontade de mais de 3.500 sócios, a MAG teria sempre de aceitar – e hoje, infelizmente, são muito mais, perante a degradação de quem está a dirigir o clube. Temos o dever estatutário de defender as regras, nomeadamente o direito de cumprir com os direitos dos sócios”, começou por referir Marta Soares na conferência.

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“Os sócios garantem autonomia, liberdade e independências da instituição perante tudo e todos. Sentimos que não nos podemos desviar da confiança que os associados depositaram em nós, para sermos o garante de que seriam defendidos até ao limite dos seus direitos. É isso que estamos a fazer, dar a voz aos sócios, defender os estatutos, os regulamentos e a lei. E, se for preciso, denunciando aqueles que estão a destruir o património extraordinário de liberdade, de independência mas que existe um golpe de Estados inimaginável que quer acabar com isso, numa ilegalidade grave”, prosseguiu o líder da Mesa da Assembleia Geral.

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“Já se tinham demitido oito dos dez membros do Conselho Fiscal e Disciplinar, já tinham saído seis elementos da Direção, dois dos quais vice-presidentes, já tinham apresentado renúncia mais de 35 dos 50 elementos do Conselho Leonino incluindo o número 1, João Mesquita, que considerou a situação insustentável”, recordou Jaime Soares, antes de reconfirmar a Assembleia Geral Extraordinária no dia 23 de junho no Altice Arena. “Não aceitou a proposta de irmos para eleições, para a paz voltar ao Sporting. Demos o dia 19 e 26 de agosto e 2 de setembro, ficando até lá com poderes para gerir o clube e que não havendo qualquer Comissão de Gestão. Nada resultou, não conseguimos atingir esse objetivo e temos vindo a deparar com uma teimosia permanente rasgando os estatutos, à revelia do que ali está, além da própria lei. Não abdicaremos de nada para prosseguir nesse caminho”, continuou.

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“Enviámos cartas, emails e mensagens para validar as assinaturas, nada foi possível. Quando tínhamos feito isso a indicação que nos deram era que teria de tratar de tudo com o presidente do Conselho Diretivo. Nunca foi assim, como por exemplo nas últimas eleições com 150 operacionais. Até a correspondência para o presidente da Mesa da Assembleia Geral, como cartas de renúncia, foram sonegadas. Assim, a Mesa avançou com uma providência cautelar para a realização da Assembleia Geral no dia 23 de junho. No passado dia 2 de junho, demos também posse a uma Comissão de Fiscalização e está desde aí em funções, devendo o Conselho Diretivo dar tudo para que possa cumprir as suas funções”, explicou em relação ao que se tem passado e irá ocorrer no futuro.

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De seguida, Henrique Monteiro, o coordenador da nova Comissão de Fiscalização nomeada por Jaime Marta Soares, tomou a palavra para explicar em que consiste o órgão que fará a transição até ao novo ato eleitoral.

“Nós, tal como o presidente da Mesa e quem me acompanha, entendemos que a palavra tem de ser devolvida a palavra aos sócios porque o clube não é de ninguém a não ser deles. É nosso entender que tudo deve ser feita de acordo com as leis da República, com os regulamentos desportivos e com os estatutos do Sporting Clube de Portugal. Perante isto, o único órgão que não foi beliscado foi a Mesa, presidida por Jaime Marta Soares. Como estão a chegar uma série de participações que visam umas o presidente do Conselho Diretivo, outras todos os membros do Conselho Diretivo e assim cabe-nos avaliar e analisar as mesmas. Cabe-nos pedir também as contas que estarão fechadas até dia 15 à Comissão de Fiscalização, como faria com o Conselho Fiscal e Disciplinar”, explicou o jornalista e diretor editorial do grupo Impresa, que negou qualquer possibilidade de haver uma outra Comissão de Fiscalização nomeada pela Comissão Transitória escolhida pelo Conselho Diretivo e explicou que está num órgão apenas transitório porque não poderia recusar ajuda numa altura em que o clube necessita.

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“As outras Assembleias marcadas pela Comissão Transitória? Diria que os sócios não querem participar numa fraude, porque tudo aquilo é ilegal”, esclareceu depois Marta Soares no período de perguntas e respostas aos jornalistas. “Estamos convictos e levaremos até às últimas consequências tudo para que se realize a Assembleia Geral de dia 23. Já ouvimos dizer que o Conselho Diretivo não iria ajudar em nada, mas nem quero acreditar nisso porque a Mesa não ter orçamento mas reclamámos o que está nos estatutos. Se assim for, o presidente Bruno de Carvalho terá de assumir as consequências desse ato irresponsável. Justa causa? Não há nada que não cumpra o que são as regras, pelo que aparecerá até em plena Assembleia, caso os sócios apresentem nessa altura. A Assembleia é soberana, concordem ou não com a nota de culpa. Sobre a Comissão de Fiscalização, não pode ser proibida a entrada em Alvalade porque está a fazer a função do Conselho Fiscal e Disciplinar”, acrescentou.

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“Para ver o desnorte, no dia em que se referiram a mim como presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral demissionária, o presidente Bruno de Carvalho pediu-me, como presidente da Mesa, que marcasse duas ou três Assembleias Gerais. O que leva Bruno de Carvalho a tomar essas atitudes e o Conselho Diretivo estar tão agarrado ao poder? Sempre disseram que quando os sócios quisessem ser ouvidos iria dar todas as condições para isso. Que cumpra então com a sua palavra”, revelou também o líder demissionário da Mesa entre 2013 e maio de 2018. “Se não houver nada em contrário, Bruno de Carvalho pode ser candidato à vontade nas próximas eleições. Da minha parte, posso garantir que só quero dar a voz aos sócios e nada mais”, concluiu.