António Costa, o primeiro-ministro em exercício, é a principal novidade na lista de personalidades que o PSD quer chamar à comissão de inquérito às rendas excessivas no setor elétrico. O Bloco de Esquerda já tinha pedido a audição de ex-primeiros-ministros, desde Durão Barroso a Passos Coelho, passando por José Sócrates e Santana Lopes.

Agora o PSD acrescenta à lista de audições o atual primeiro-ministro, num requerimento que pede para ouvir todos os líderes de Governo durante o período abrangido pela comissão de inquérito, desde 2004 até à atualidade, uma vez que os contratos que sustentam as chamadas rendas excessivas da EDP e de outras empresas de eletricidade, ainda estão em vigor.

O pedido de audições inclui ainda Mário Centeno, atual ministro das Finanças. Se a audição destes políticos for aprovada, o primeiro-ministro em exercício pode responder por escrito. Passos Coelho usou esta prerrogativa quando respondeu à comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo. Sócrates também o fez, quando liderava o segundo Executivo, na comissão de inquérito à tentativa de compra da TVI pela Portugal Telecom. E vários ex-governantes têm-no feito no passado, como Vítor Gaspar.

Os requerimentos dos partidos para audições na comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas do setor elétrico vão ser votados esta quinta-feira.

Vieira da Silva, ex-ministro da Economia do segundo Governo de Sócrates, e Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, e durante poucos meses, após demissão de Manuel Pinho, ministro da Economia do primeiro Governo de Sócrates — e atual ministro do Trabalho e Segurança Social, também são chamados. No total, o requerimento dos sociais-democratas convoca para audições quatro membros do atual Governo, com Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, e Jorge Seguro Sanches, secretário de Estado da Energia.

A lista que o PSD vai levar a votação inclui 65 personalidades e 15 entidades, entre empresas de energia, portuguesas e estrangeiras, mas também bancos. Outra novidade no rol de personalidades, são antigos banqueiros de instituições que foram acionistas da EDP, como a Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o BES, mas também participaram como assessores financeiros em processos de privatização da elétrica.

Entre estes estão Armando Vara e Carlos Santos Ferreira, presidentes da Caixa no primeiro Governo de Sócrates, mas também Faria de Oliveira, José de Matos e Paulo Macedo. No BCP, os sociais-democratas incluíram o fundador, Jardim Gonçalves, que era presidente quando o banco fez uma parceria estratégica com a EDP com cruzamento de participações, e Paulo Teixeira Pinto, o gestor que propôs o nome de António Mexia para presidir à elétrica em 2006. Na altura Sócrates era primeiro-ministro e Manuel Pinho, ministro da Economia.  São ainda referidos Ricardo Salgado, o ex-presidente do BES que o Bloco também quer chamar, e José Maria Ricciardi, o ex-presidente do Banco Espírito Santo de Investimentos.

Para além de vários especialistas no setor da energia, e nomes de antigos e atuais responsáveis políticos pela área da energia e gestores da EDP e da REN — que já surgiam nos requerimentos de outros partidos — o PSD pretende ainda chamar Joaquim Moura, ex-presidente da Iberdrola em Portugal e que foi ministro da Economia com a pasta de energia durante os Governos de António Guterres. Outros nomes convocados são os do atua e ex-diretores gerais de energia, entidade dentro do Governo para é o braço técnico para as decisões políticas e administrativas do setor elétrico, começando em Miguel Barreto.