Professores

“As promessas são para cumprir”, diz Negrão sobre guerra entre Governo e professores

157

PSD junta-se ao coro da esquerda para encostar o Governo às cordas na guerra com os professores: "As promessas são para cumprir", disse Fernando Negrão à saída da reunião da bancada parlamentar do PSD

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

António Costa tem dito que “não há dinheiro” para pagar todo o tempo de serviço não contabilizado dos professores, mas o PSD junta-se à esquerda para apertar o cerco: havendo ou não havendo dinheiro, as promessas são para cumprir. “A promessa está no Orçamento do Estado e num projeto de resolução, por isso, se o Governo prometeu, tem de resolver de uma maneira ou de outra”, disse o líder parlamentar do PSD no final de uma reunião da bancada social-democrata no Parlamento.

Em causa está a devolução do tempo de serviço aos professores que tinham tido a carreira congelada. Com o líder da Fenprof à cabeça, os professores querem reaver todo o tempo perdido no processo de descongelamento das carreiras da função pública (que nas suas contas são nove anos, quatro meses e dois dias), enquanto o Governo diz que só há dinheiro para contabilizar dois anos, nove meses e 18 dias. O braço de ferro levou o primeiro-ministro a classificar os sindicatos de “intransigentes” e o governo a dizer que não negoceia com esse tipo de postura. Ou são os dois anos, ou não é nada. Enquanto para os sindicatos, a negociação tem como ponto fulcral os nove anos. “Não temos dinheiro para pôr mais 600 milhões de euro por ano a pagar esta reivindicação salarial. É muito simples: não temos dinheiro para todo o tempo de serviço”, disse Costa no último debate quinzenal.

Pelo meio, cresce a tensão política entre a “geringonça”, com os partidos da esquerda a lembrarem o Governo que prometeu contabilizar todo o tempo de serviço e que tem de levar essa promessa até ao fim. Agora, é o PSD que se junta a este coro do Bloco de Esquerda, Verdes e PCP. O tema foi discutido esta quinta-feira na reunião da bancada parlamentar, à porta fechada, já que está marcado para esta sexta-feira um debate de atualidade sobre o assunto, pedido pelo PCP, e com a presença do Governo. “Tendo o Governo prometido contabilizar todo o tempo de serviço, deve cumprir”, disse Fernando Negrão, insistindo uma e outra vez: “Claro que o cabimento orçamental é uma preocupação do PSD, mas as promessas são para cumprir. O que levou o PS a prometer uma coisa que não pode cumprir? Se prometeu, tem de cumprir”.

Fernando Negrão disse ainda que a posição do PSD no debate sobre os professores vai ser no sentido da “valorização dos professores e das escolas”.

Outro tema que foi discutido na reunião dos deputados do PSD foi o pacote de alteração laboral que o Governo negociou com a concertação social (entre patrões e sindicatos), e que é outra matéria onde a “geringonça” não se entende. Mas, sobre a posição que o PSD vai adotar nessa matéria, Negrão não adiantou. “O pacote laboral vai ser discutido só no início de julho, a estratégia do PSD ainda está a ser discutida”, disse. Certo é que Rui Rio já fez saber que considerava importante que tivesse havido acordo entre o Governo e os patrões, dando a entender que poderia apoiar o Governo nessa matéria.

No final de maio, Rui Rio chegou a dizer que o seu partido votará no Parlamento um eventual acordo laboral de forma sensata e coerente. “Não votaremos nunca contra qualquer coisa em que acreditamos só porque nos possa dar jeito em termos de tática partidária. Ele [António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal – CIP] conhece-me o suficiente para saber que eu sou assim”, afirmou na altura Rui Rio aos jornalistas.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rdinis@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)