No passado sábado, depois de ter estado a ganhar durante quase metade da primeira parte, a Suécia estava a sofrer para segurar o empate frente à Alemanha. A seleção alemã estava mais forte, mais rápida, mais perigosa, mas a defesa sueca raramente comete erros e é difícil de bater. Jimmy Durmaz, jogador sueco que alinha pelos franceses do Toulouse, entrou aos 74 minutos para substituir Claesson. Quando já passavam dois minutos dos 90, fez falta sobre Timo Werner do lado esquerdo da área sueca. Kroos marcou o livre, a bola entrou e a Alemanha ganhou.

Ainda nesse dia, Durmaz começou a receber mensagens com insultos e comentários racistas através das redes sociais. O médio de 29 anos nasceu na Suécia mas é filho de pais assírios originários da Turquia. Já este domingo, antes do treino da seleção sueca, o selecionador Janne Andersson foi o primeiro a comentar o assunto e referiu à comunicação social que se tratava de uma situação “completamente inaceitável”. De seguida, os jogadores alinharam-se atrás de Jimmy Durmaz, que leu um comunicado em nome próprio.

Só queria dizer algumas coisas sobre o que aconteceu ontem [sábado] depois do jogo. Eu sou um jogador de futebol ao mais alto nível por isso tenho de aceitar ser criticado por aquilo que faço em campo. Faz parte do meu trabalho e estou sempre disponível para aceitar isso. Mas há limites e esses limites foram ultrapassados. Quando alguém me ameaça, quando me chamam ‘escurinho’, ‘maldito árabe’, terrorista, talibã, aí esses limites foram ultrapassados”, afirmou o médio que foi treinado por Vítor Pereira e Marco Silva no Olympiacos.

Jimmy Durmaz revelou ainda que os insultos não se reduziram a ele próprio, mas também à própria família. “Foram atrás da minha família e dos meus filhos e ameaçaram-nos. Quem é que faz esse tipo de coisas?”, questionou o internacional sueco. No final da comunicação, Durmaz atirou: “Eu sou sueco e tenho muito orgulho em representar a seleção da Suécia, é a maior coisa que podemos fazer enquanto futebolistas. Nunca irei deixar que racistas destruam o meu orgulho. Temos todos de tomar uma posição contra o racismo”.

A falta da polémica

Depois do comunicado de Durmaz, a Federação Sueca de Futebol recorreu às redes sociais para apoiar o jogador e anunciar que tinha sido feita uma participação à polícia. “Não toleramos que um jogador seja submetido a ameaças ou abusos. É desconfortável e muito enervante ver o tratamento a que o Jimmy Durmaz foi submetido. Completamente inaceitável”, declarou a federação sueca.

Mas esta não foi a única polémica que abalou o jogo entre a Alemanha e a Suécia. Exatamente depois do golo de Kroos, os jogadores e membros do corpo técnico que estavam sentados no banco alemão terão celebrado de uma forma que foi considerada pouco respeitosa e até desafiante. No final da partida, o selecionador Janne Andersson defendeu que “alguns celebraram de forma desrespeitosa”. “Existiam muitas emoções, tínhamos acabado de conceder um golo e perder o jogo, por isso foi muito amargo. Se calhar fiquei irritado desnecessariamente, mas eles já pediram desculpa por isso é um caso em que se tem de aceitar”, explicou o selecionador nacional sueco.

Após os comentários de Andersson, a seleção alemã pediu desculpa através das redes sociais. “Foi um jogo muito emocional. No final, uma ou outra reação ou gesto do nosso banco em relação ao banco sueco foi demasiado emocional. Não é assim que fazemos as coisas, pedimos desculpa ao selecionador sueco e à sua equipa”, escreveu a Mannschaft, terminando a mensagem com a palavra ursakta, “desculpem” em sueco. Entretanto, a FIFA anunciou que abriu processos disciplinares a dois elementos do staff alemão pela forma desrespeitosa como celebraram o golo de Toni Kroos.