E se de repente lhe dissessem que ia trabalhar menos um dia por semana, ganhar o mesmo e sem horas extra? Parece improvável, mas foi mesmo isto que aconteceu aos 240 trabalhadores da empresa neozelandesa Perpetual Guardian entre os meses de março e abril deste ano.

Tudo não passou de um teste a um novo modelo laboral, mas os resultados são surpreendentes (e não enganam): em vez de haver uma queda de produtividade, ela subiu, assim como o compromisso dos funcionários. Os níveis de stress caíram 7%, a satisfação cresceu 5% e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional melhorou significativamente.

“Era apenas uma hipótese teórica, algo que eu queria testar porque queria criar um ambiente melhor para a minha equipa”, explicou o fundador da empresa, Andrew Barnes, à CNN. “Os resultados foram excitantes. A produtividade subiu e os níveis de stress desceram. As pessoas ficaram mais focadas”, sintetizou Barnes, que garantiu ainda que vai tentar convencer a administração a manter o teste a título definitivo. “Porque não pagamos às pessoas com base no resultado do seu trabalho? Porque estamos a pagar por dias no escritório?”, questiona ainda.

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Passada a fase de testes, conduzida pela Universidade de Auckland, a empresa que gere patrimónios e trata de aplicações financeiras só pode estar satisfeita com os resultados. Barnes sublinha até que os funcionários passaram menos tempo nas redes sociais e noutras atividades não produtivas — um dos trabalhadores até garantiu ter deixado de olhar para os emails da mulher sobre o apartamento que ambos procuravam comprar. Além disso, 78% dos funcionários relataram ter um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional — um acréscimo de 24% relativamente aos dados recolhidos em novembro do ano passado.

O fundador conta que o objetivo era fazer com que os funcionários pudessem dedicar mais tempo aos seus assuntos pessoais, estando realmente focados no trabalho nas horas que passam no escritório. Andrew Barnes sublinha ainda que o segredo do teste foi nada ter sido imposto aos trabalhadores: a direção limitou-se a perguntar-lhes como poderiam manter a produtividade com menos um dia de trabalho, envolvendo-os no processo. Como todas as coisas boas têm o seu lado B, havia uma contrapartida: a redução de horário não era um direito adquirido e seria retirado se os resultados baixassem. “Contratualmente não foram reduzidas horas. Se não mantiverem a produtividade, tiramos de volta o presente”, esclareceu. “Isto é um presente, não é um direito. Se me derem a produtividade, eu dou-vos o dia. É mútuo respeito”.

Quando a redução de horas implica mais custos

Não exatamente na Nova Zelândia, mas noutros pontos do globo, outros testes foram feitos para perceber até que ponto a produtividade pode andar de mãos dadas com menos horas passadas à secretária. Em Gotemburgo (Suécia), por exemplo, entre 2015 e 2017, o município testou um horário de seis horas diárias no lar de idosos Svartedalen. Os resultados foram mistos: por um lado, os 68 funcionários passaram a trabalhar com mais saúde — o que reduziu os cuidados com saúde e as faltas por doença — mas por outro, o município teve de gastar mais dinheiro.

Como na altura explicou Daniel Bernmar, vereador responsável pelos cuidados a idosos no município de Gotemburgo, a experiência está “associada a custos mais elevados, sem dúvida” e “é demasiado caro proceder a uma redução geral do horário de trabalho dentro de um período razoável”. Para manter o horário de seis horas diárias, a câmara de Gotemburgo teve de contratar 17 novos funcionários — o que se traduziu num custo adicional de 2,1 milhões de euros.