Quinta-feira é um dia decisivo para o futuro de Juan Carlos I. O diretor dos serviços de inteligência espanhóis é chamado a uma audiência parlamentar, no mesmo dia em que um juiz da Audiência Nacional se pronuncia sobre o caso das escutas a Corinna.

Em causa, estão escutas à mulher apontada como antiga amante do rei, Corinna zu Sayn-Wittgenstein. Nas gravações divulgadas pelo El Español a 10 de julho, a filantropa alemã afirma que o antigo rei detém contas bancárias em paraísos fiscais e propriedades ocultas que estarão registadas em nome de testas de ferro. O rei emérito é ainda acusado de ter intervido no caso que resultou na condenação do genro Iñaki Urdangarín e ter recebido indevidamente uma comissão da Arábia Saudita nas negociações do comboio de alta velocidade.

Félix Sanz Roldán, diretor do Centro Nacional de Inteligência (CNI), é chamado ao parlamento para prestar depoimentos sobre o caso. Nas gravações, Corinna diz ter sido alvo de ameaças por Roldán depois do fim do seu relacionamento com o monarca. De acordo com a filantropa, o diretor do CNI tentou intimidá-la para que não falasse sobre as atividades ilícitas de Juan Carlos.

Corinna zu Sayn-Wittgenstein ao lado de Juan Villalonga (à esquerda), ex-presidente executivo da Telefónica e ex-administrador da Espírito Santo Financial Group, em São Petersburgo em junho de 2014. Villalongo é o terceiro interveniente nas escutas reveladas pelo El Español. (Getty Images)

Este foi também o dia apontado pelo juiz da Audiência Nacional, Diego de Egea, para se pronunciar sobre o caso. De Egea é o responsável pelo caso que investiga o ex-comissário da polícia José Manuel Villarejo, outro dos intervenientes nas escutas. O jurista abriu um inquérito que tem por base as gravações e que visa compreender a relação entre Villarejo e Corinna.

Na sequência desta investigação, o juiz pode recolher prova indiciária e fazer uma exposição ao Supremo Federal de Espanha para que seja aberta na secção penal daquele tribunal superior uma investigação criminal formal contra Juan Carlos. Tudo por que o rei emérito tem direito a foro especial.

Também os procuradores do Ministério Público do Supremo Federal de Espanha poderão propôr a um juiz conselheiro da secção penal a abertura de uma inquérito formal por suspeitas de alegados crimes de corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais e tráfico de influências.

Espanha. Técnicos do fisco defendem abertura de inquérito às contas secretas de Juan Carlos I