O anterior rei de Espanha, Juan Carlos I, terá implicado Corinna zu Sayn-Wittgenstein no caso Nóos, que resultou na prisão do genro Iñaki Urdangarin, para proteger a filha e irmã do atual rei, a infanta Cristina. Esta é mais uma das notícias que foi avançada pelo jornal El Español esta quarta-feira com base nas escutas à mulher apontada como antiga amante do rei, Corinna. A conversa com a filantropa alemã terá sido gravada sem o seu conhecimento em 2015, numa reunião secreta em Londres com José Villarejo Pérez e Juan Villalonga Navarro.

Segundo Corinna, o monarca teve a intenção de a implicar no caso Nóos para proteger a filha. “Neste assunto meteu-me a Casa Real. Eles disseram: melhor Iñaki e Corinna do que Iñaki e Cristina. Essa foi a ideia”, cita o site Ok Diário.

A filantropa alemã foi implicada no caso por Diego Torres, o sócio de Urdangarin. Torres acusou Corinna de ter proposto uma sociedade para encobrir os fundos que o genro do rei tinha no estrangeiro. A relação de Corinna com Iñaki remonta a 2004. Nesse ano, enquanto delegada da Fundação Laureus, a alemã propôs, por recomendação de Juan Carlos, ao marido da infanta Cristina que organizasse o Valencia Summit 2004 por um salário de 200 mil euros e um bónus adicional de 50 mil.

A ex-amante afirma que tentou resolver o assunto sem ter de falar publicamente, mas que o monarca não colaborou. “Eu disse ao rei 17 vezes para os seus advogados se encontraram com os meus ‘off the record’ [oficiosamente] para ver como eles explicavam as coisas sem que eu tivesse que dizer nada, eles não o fizeram. Ponto final. Tive de me defender”. O juiz do caso considerou a possibilidade de a chamar a depor, mas as acusações acabaram por cair.

Corinna relata que questionou Juan Carlos sobre os motivos que o tinham levado a implicá-la no caso, em vez de a defender. Segundo a gravação, o pai do rei Felipe VI terá respondido com o provérbio inglês “Blood is thicker” [“o sangue é mais espesso”], indicando que a defesa daqueles com quem partilha laços de sangue prevaleceria sobre outras relações. “Foram muito duros comigo”, conclui.

A alemã diz ainda que elaborou um relatório em 2004 no qual se mostrava preocupada com as ações de Iñaki Urdangarin. “Estou preocupada. [Urdangarin] não distingue a diferença entre dinheiro público e dinheiro privado. Ele quer ganhar dinheiro muito rápido e está preparado para fazer qualquer coisa para ganhar dinheiro”, disse recordando a conversa que terá tido com o rei quando lhe entregou o relatório.

Corinna manteve alegadamente um relacionamento com o monarca entre 2006 e 2013. A separação do casal ocorreu na sequência do escândalo que gerou muitas críticas ao monarca por uma viagem ao Botswana para caçar elefantes.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira na sequência das escutas reveladas pelo El Español, Corinna não comenta o caso. “Desde há muito tempo que existe uma campanha de descrédito com motivação política contra mim. Eu agi sempre corretamente e pretendo continuar a viver a minha vida de uma forma tranquila, independentemente dos anos de constante assédio e tentativas de descrédito público que sofri com uma quantidade infinita de informações falsas. Tenho um enorme respeito pelas instituições de Espanha, mas não posso permitir que seja usada num conflito que não me diz respeito.”