Mais de um ano depois do surgimento dos primeiros casos de suicídio relacionados com o jogo “Baleia Azul“, há um fenómeno online a preocupar as autoridades em vários países. Trata-se da “Momo”, uma personagem fictícia que fala com crianças e jovens na aplicação WhatsApp e que chega a convencê-los a partilhar dados e informações pessoais, envia mensagens violentas e pode mesmo incitar ao suicídio. Segundo a edição brasileira da BBC, que conta a história, já há casos registados em todo o continente americano, da Argentina aos Estados Unidos, e também na Europa, designadamente na França e na Alemanha.

O funcionamento é muito simples: um número de telefone é disseminado por grupos nas redes sociais; quem o adicionar à lista de contactos, verá surgir na sua aplicação WhatsApp um contacto com a fotografia de uma estátua sorridente assustadora, de origem japonesa; se o utilizador enviar uma mensagem a esse contacto, começa a receber respostas violentas e ameaças.

“Tudo começou num grupo de Facebook onde os participantes eram desafiados a comunicar com um número desconhecido”, segundo as autoridades do México (país onde surgiu o fenómeno) citadas pela BBC. “Vários utilizadores disseram que, se enviassem uma mensagem à Momo do seu telemóvel, a resposta vinha com imagens violentas e agressivas. Aliás, há quem afirme que teve mensagens respondidas com ameaças”, acrescentaram as mesmas autoridades.

As autoridades de vários países estão a deixar alertas sobre o fenómeno. Aqui ao lado, em Espanha, a Guardia Civil já emitiu um aviso a pedir aos jovens que não adicionem o número de telemóvel. “Não adiciones a Momo. Se gravas na tua agenda o número +8143510*** vai aparecer-te um estranho rosto de uma mulher”, lê-se numa publicação da Guardia Civil, que explica que este é o último fenómeno viral “da moda entre os adolescentes”.

O início da “Momo” ainda está por identificar, mas sabe-se para já que há cinco números de telemóvel associados ao fenómeno. Três deles com indicativo +81, do Japão; um com indicativo +52, da Colômbia; e um outro com indicativo +57, do México. Mas segundo um especialista da organização Safernet, que está a monitorizar a “Momo” consultado pela edição brasileira da BBC, a quantidade de números de telemóvel associados está a aumentar.

Segundo as autoridades, trocar mensagens com estes números de telemóvel resulta quase sempre em extorsão e em roubo de informações privadas — que depois podem ser utilizadas de forma criminosa –, mas também em assédio e incitação ao suicídio e à violência, podendo terminar em transtornos físicos e psicológicos.

Em abril do ano passado, surgiram os primeiros casos do jogo “Baleia Azul”, um outro fenómeno na Internet que incitava crianças e jovens a cumprirem uma série de desafios que terminavam frequentemente com o suicídio.