Uma candidatura, a habitual intervenção do cabeça de lista, a habitual explicação de Jaime Marta Soares, pausa para escrever. Esta quarta-feira aquilo que começou por ser uma exceção na semana passada em Alvalade tornou-se uma regra, com as últimas formalizações de nomes que irão concorrer no próximo sufrágio eleitoral de 8 de setembro. De manhã, foi Dias Ferreira; à tarde, apresentou-se Fernando Tavares Pereira. E numa corrida que irá bater registos históricos no Sporting, superando o registo máximo de cinco candidatos que avançaram em 2011, também o empresário de Tábua consegue ser pioneiro.

O Sporting não está propriamente habituado a este tipo de escrutínios muito concorridos. Aliás, basta recordar que a primeira vez em que houve mais do que um candidato (antigamente havia órgãos que nomeavam a personalidade que estaria em melhores condições para assumir o comando dos destinos do clube) foi em 1984, quando Marcelino de Brito desafiou João Rocha. Em 1988 já houve três listas (Jorge Gonçalves, António Simões e António Figueiredo), no ano seguinte esse número subiu para quatro (Sousa Cintra, António Simões, Jorge Gonçalves e Miguel Catela. Após um período de acalmia, Soares Franco e Abrantes Mendes tiveram em 2006 o sufrágio seguinte com mais do que um candidato e assim se manteve nos atos eleitorais seguintes, bem mais do que se poderia adivinhar em 12 anos: 2009, 2011, 2013, 2017 e, agora, 2018. Todos tinham um ponto em comum: mesmo não tendo nascido na capital, tinham a sua vida e/ou atividade profissional concentrada em Lisboa, ao contrário do que acontece agora com Fernando Tavares Pereira, que já tinha sido desafiado antes para avançar.

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“Venho para o Sporting sem qualquer vencimento”, garantiu após o encontro com Marta Soares, num ato onde foi visível a amizade do líder da Mesa da Assembleia Geral por alguns dos membros da lista do empresário. “Em 2011 e 2013 já tinha sido convidado para avançar, mas entendia então que não tinha as condições necessárias para tal. Fui responsável, nessa altura e agora, que tenho mais tempo, o tempo que o clube necessita”, acrescentou a esse propósito.

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“Já vencemos esta primeira batalha que acaba por ser a entrega de listas e agora queremos também vencer as próximas”, frisou, antes de confirmar que Mário Fontemanha será substituído na liderança do Conselho Fiscal e Disciplinar por uma questão de conflito de interesses, na medida em que é advogado de Rafael Leão e não faria sentido continuar a integrar as listas tendo em conta a mudança do jovem avançado para o Lille que foi confirmada esta manhã. “A nossa lista tem muitas pessoas competentes, como o Fernando Curto que ficará nessa posição. Somos pessoas de bem. Já tínhamos falado na possibilidade de haver este cenário e, a partir do momento em que houve a decisão, estava acertado que havia a troca”, explicou.

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“Temos de defender o Sporting como se fosse nosso. Queremos uma campanha correta e aberta. Somos uma lista que vem de fora para dentro e também a lista mais capaz de abraçar todos os outros candidatos. Temos uma lista independente, sem ninguém que tenha pertencido no passado aos órgãos sociais do Sporting. As nossas empresas têm 700 funcionários, o Sporting tem 900, estamos à vontade para trabalhar para um Sporting vencedor”, destacou ainda Tavares Pereira, que tem negócios nas áreas da metalomecânica, construção civil, inspeção automóvel, agricultura, saúde, turismo e hotelaria em cinco países.

Por fim, e assegurando que irá liderar a SAD em caso de triunfo “com uma equipa de pessoas competentes”, o empresário falou também de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira, que anunciou esta quarta-feira a saída de cena deste cenário, e argumentou o porquê de não marcar presença no primeiro debate entre candidatos que está marcado para esta noite: “Sempre disse que podem contar comigo para todos os debates mas quando houver uma lista final de candidatos, algo que, como vocês já ouviram da parte do presidente da Mesa, só haverá daqui a 48 horas. Nesta altura ainda somos todos pré-candidatos…”.