Grécia

Grécia e zona euro celebram hoje fim de oito anos de resgates

A Grécia assinala esta segunda-feira o fim do terceiro resgate financeiro. Mário Centeno assinalou a data através de um vídeo partilhado nas redes sociais.

BALAZS MOHAI/EPA

A Grécia concretiza esta segunda-feira a saída do seu terceiro programa de assistência, numa data histórica para o país e para a zona euro, que vira a página sobre oito anos de resgates. O país europeu, o mais atingido pela crise económica e financeira, foi o primeiro e último a pedir assistência financeira — e o único “reincidente” –, e a conclusão do seu terceiro programa assinala também o fim do ciclo de resgates a países do euro iniciado em 2010, e que abrangeu também Portugal (2011-2014), Irlanda, Espanha e Chipre.

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, saudou esta segunda-feira o fim dos programas de assistência à Grécia, apontando que, ao fim de oito ano, o país “reconquistou o controlo pelo qual lutou”, mas advertindo que tal também acarreta “responsabilidade” acrescida. Em várias mensagens publicadas na sua conta na rede social Twitter, e também no sítio de Internet do Conselho da União Europeia, no dia em que a Grécia sai formalmente do seu terceiro programa de ajuda externa, Centeno começa por sublinhar que “hoje é um dia especial para a Grécia”, pois chega ao fim “um trajeto longo e sinuoso”.

Mas isso agora é História. Hoje, o crescimento económico melhorou, estão a ser criados novos postos de trabalho, regista-se um excedente orçamental e comercial, e a economia foi reformada e modernizada”, afirma Centeno, acrescentando ter noção de que “estes benefícios ainda não são sentidos em todos os quadrantes da população”, mas garantindo que, “gradualmente, serão”.

Segundo Centeno, “a Grécia enfrenta agora uma nova realidade”, em que “não há mais ações prévias” (as medidas de ajustamento que Atenas tinha que honrar perante os credores para receber os empréstimos), “mas também não há mais desembolsos”.

A Grécia reconquistou o controlo pelo qual lutou. Com controlo, vem a responsabilidade. Os gregos pagaram caro as más políticas do passado, pelo que voltar atrás seria um erro prejudicial”, sublinhou então o presidente do Eurogrupo.
A concluir, Centeno lembra que “a Grécia está agora numa posição na qual pode gozar plenamente a pertença à zona euro, sujeita às mesmas regras dos restantes membros da área do euro”. “Nesse sentido, a Grécia regressou hoje à normalidade. Por isso, bem-vindos de volta”, conclui.

Face às características únicas da (tripla) assistência prestada ao país, e às fragilidades que a sua economia ainda revela, a Grécia será alvo de uma “vigilância pós-programa reforçada”, com missões de três em três meses, para garantir que Atenas prossegue, nesta nova era pós-resgates, uma “política orçamental prudente”.

Grécia, mais uma “história de êxito” inesperado

No sábado, o diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, congratulou-se com a recuperação da autonomia da Grécia, na saída do último programa de resgate, apontando que o país será “uma história de êxito”.

“Há algum tempo nada faria crer que Portugal, Espanha, Irlanda e Chipre seriam histórias de êxito. Refiro-me sempre a estes países como as nossas quatro histórias de sucesso. Agora poderei incluir a Grécia neste grupo”, seguindo sempre as reformas acordadas, disse, na altura, Klaus Regling ao diário grego News247. Lembrou ainda a importância de a Grécia continuar as reformas realizadas e concretizar os compromissos firmados com as instituições credoras.

Há algum tempo nada faria crer que Portugal, Espanha, Irlanda e Chipre seriam histórias de êxito. Refiro-me sempre a estes países como as nossas quatro histórias de sucesso. Agora poderei incluir a Grécia neste grupo”, seguindo sempre as reformas acordadas, disse, na altura, Klaus Regling ao diário grego News247. Klaus Regling lembrou ainda a importância de a Grécia continuar as reformas realizadas e concretizar os compromissos firmados com as instituições credoras.

No início de julho, o ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, disse, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, poucos dias após o fórum de ministros das Finanças da zona euro ter acordado a conclusão do terceiro resgate à Grécia, lançado em agosto de 2015, que “o dia 20 de agosto de 2018 é para marcar no calendário e celebrar”.

O histórico da crise grega e da zona euro recua, no entanto, pelo menos, a 2010, altura em que tem lugar a primeira cimeira extraordinária de líderes da UE para discutir o “problema grego”, à luz das revelações de que as autoridades gregas haviam ocultado os verdadeiros dados macroeconómicos do país e manipulado os números do défice público, que era afinal, na altura, de 12,5%, mais do dobro do valor anunciado.

Em maio desse ano, e ultrapassadas as reticências iniciais da Alemanha, é aprovado o primeiro resgate para a Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, naquele que seria o início de uma série de resgates a países da zona euro — com participação também do Fundo Monetário Internacional (FMI) –, em plena crise da dívida soberana, incluindo, precisamente um ano depois, em maio de 2011, Portugal.

Em março de 2012, é aprovado um segundo resgate à Grécia, no valor de 130 mil milhões de euros, mas Atenas tarda em conseguir o “ajustamento” das suas contas públicas, e a crise mais profunda tem lugar em 2015, quando o partido de extrema-esquerda Syriza de Alexis Tsipras sobe ao poder e enfrenta os credores, a “‘troika’, nas negociações para a conclusão desse segundo programa de assistência, ficando famoso o confronto entre os então ministros das Finanças grego, Yanis Varoufakis, e alemão, Wolfgang Schäuble.

Numa altura em que Portugal já tinha concluído o seu programa de assistência, Bruxelas conhece então dos momentos mais agitados da sua história, com uma “maratona” de cimeiras extraordinárias, ao nível de ministros das Finanças mas também de chefes de Estado e de Governo, durante as quais chegou a pairar a ameaça de uma “expulsão” da Grécia da zona euro. Finalmente, em agosto de 2015, e já com Varoufakis afastado do governo de Tsipras, é alcançado um acordo entre Atenas e os seus credores para um terceiro e derradeiro programa de assistência (num montante máximo de 86 mil milhões de euros), que chega então agora ao fim, com uma “saída limpa” da Grécia, que continuará todavia a ser alvo de uma vigilância reforçada.

Na sua intervenção em 4 de julho perante o Parlamento Europeu, Centeno, que assumiu a presidência do Eurogrupo em janeiro deste ano, advertiu que as autoridades de Atenas devem imperiosamente prosseguir uma “política orçamental prudente” e reformas estruturais, recordando que haverá lugar a uma “vigilância pós-programa reforçada”. Esta vigilância reforçada — como missões de três em três meses — não significa todavia que a Grécia continue de alguma forma sob programa, asseverou Centeno: “Deixem-se ser claro: «fora do programa» para a Grécia significa “fora do programa”, disse, acrescentando que “a Grécia deve participar no euro como qualquer outro país”.

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