O CDS-PP já entregou o texto que propõe a criação de uma comissão de inquérito parlamentar sobre o roubo de armamento de Tancos e fica claro, pelo objeto que propõe, que quer os centristas querem pressionar o Governo e apurar o grau de  responsabilidade do ministério da Defesa nesta falha. Para os deputados centristas, segundo consta do texto, a comissão deverá ter como “objetivo de identificar e avaliar os factos, os atos e as omissões do XXI Governo Constitucional relacionados direta ou indiretamente com o furto de armas em Tancos, no período compreendido entre junho de 2017 e o presente, bem como apurar as responsabilidades políticas daí decorrentes.”

Os centristas mostram bem quem é o algo, quando falam dos “atos e omissões” do Governo de António Costa. No mesmo documento, os deputados do CDS insistem que a comissão deve servir “para apurar tudo sobre o caso de Tancos, mas também que permita uma reflexão e avaliação sobre o funcionamento do ministério da Defesa Nacional”. O CDS acrescenta ainda que deve ser feita a avaliação das “formas de articulação entre as Forças Armadas e as diversas Forças e Serviços de Segurança e órgãos de polícia criminal, com tutelas dispersas em vários ministérios.”

Para os centristas, a investigação do Ministério Público não substitui o apuramento de responsabilidades políticas no Parlamento. Apesar da investigação judicial em curso, os deputados do CDS entendem que “compete ao Estado e aos órgãos de soberania, em particular, investigar as consequências e eventuais responsabilidades no caso de Tancos, bem como averiguar as razões que permitiram consequências tão inusitadas quanto graves”.

O CDS acusa o Governo de “numa primeira fase, desvalorizar o sucedido”, tendo depois alegado “desconhecimento” e, por fim, “tentou precipitadamente encerrar o problema, sem retirar as devidas consequências”. Os centristas explicam que “cabe seguramente às autoridades judiciais descobrir quem participou no furto destas armas”, mas, por outro lado, também “apurar quem falhou nas medidas de segurança, por que é que estas falharam, e as razões da gestão de todo este processo cabe primeiramente ao Exército e ao Ministro da tutela desvendar e definitivamente ao Parlamento apurar”.

Os centristas lembram que “o Governo, através do primeiro-ministro e do ministro da Defesa, bem como do próprio chefe do Estado Maior do Exército, garantiu ao país, à Assembleia da República e aos países parceiros de Portugal no quadro da Aliança Atlântica e da União Europeia que todo o material furtado havia sido recuperado”. Para o CDS causa “estranheza e perplexidade que num processo sob segredo de justiça aquelas garantias tenham sido dadas pelos responsáveis políticos.” Os deputados democratas-cristãos recordam ainda que este foi “o maior assalto a armamento militar deste século no continente europeu.”

Resta agora saber as posições dos outros partidos e se vão apoiar o objeto proposto pelo CDS. Num primeiro momento, apensas o Bloco de Esquerda rejeitou a criação de uma comissão de inquérito. Já o PS disse que viabilizava, tal como o PCP. Já a posição do PSD era ainda uma incógnita: o partido liderado por Rui Rio prometia ponderar.