Incêndios

Incêndio em Sintra dominado. Mais de 300 pessoas retiradas e 21 feridos ligeiros

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300 pessoas foram retiradas do parque de campismo de Cascais e 47 de várias localidades. 21 pessoas ficaram feridas. Dez são bombeiros. O incêndio deflagrou na serra de Sintra e alastrou a Cascais.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Foi dado como dominado o incêndio que deflagrou às 22h50 de sábado, na serra de Sintra, e que alastrou ao concelho de Cascais. A frente que estava ativa virada para a Charneca e a Malveira da Serra está controlada, mas os meios mobilizados ainda se encontram no local para evitar reacendimentos.

Permanecem pontos do perímetro de incêndio em que se continua a verificar a necessidade de intervenção para que o incêndio não aumento o seu perímetro“, explicou Paulo Santos, comandante dos Bombeiros de Carcavelos e São Domingos de Rana, em direto para a TVI24.

“Vamos iniciar uma fase complicada”, disse o comandante distrital de Lisboa da ANPC, André Fernandes. O número de meios vai ser mantido mas aqueles que estiveram no combate às chamas ao longo da madrugada serão substituídos por outros.

[As imagens do rasto de destruição das chamas]

De acordo com André Fernandes, o incêndio provocou até ao momento “um total de 21 vítimas”, disse no ponto de situação às 13h00, nos Paços do Concelho de Cascais. O comandante precisou que entre as vítimas estão “10 operacionais e um civil” que foram levados a uma unidade hospitalar, “tudo com ferimentos ligeiros relacionados com traumas oculares e traumas também nos membros inferiores, entorses e alguma luxações”.

Já a vítima civil teve “queimaduras de primeiro e segundo grau, em menos de 10% do corpo”, mas entretanto “já teve alta e já está no seu domicílio”, acrescentou. A estes, juntam-se “10 bombeiros assistidos no teatro de operações, que não tiveram de ser deslocados e que voltaram ao combate”, adiantou André Fernandes aos jornalistas.

300 pessoas retiradas de um parque de campismo. 47 retiradas começam a regressar a casa

O fogo obrigou à retirada de 300 pessoas do parque de campismo de Cascais e de 47 de várias localidades, de acordo com a Proteção Civil. Já foi dada a indicação aos moradores e às pessoas retiradas do parque de campismo para voltar.

Segundo o comandante distrital de Lisboa da ANPC, André Fernandes, as 47 pessoas foram retiradas de várias localidades em toda a área do incêndio, como Biscaia, Figueira do Guincho, Almoínhas. Destas 47 pessoas, 17 foram deslocadas para a Sociedade Recreativa da Malveira e 30 para o Pavilhão Dramático de Cascais, em articulação com as câmaras municipais e as juntas de freguesia, estando a ser “devidamente acompanhadas” pela Segurança Social, pela ação social da autarquia e por uma equipa de psicólogos do INEM, que “está a dar todo o apoio a estas pessoas”, frisou.

Relativamente à retirada das pessoas do parque de campismo de Cascais, o comandante André Fernandes disse que foi “a maior evacuação por precaução” e que decorreu “dentro da normalidade, não havendo vítimas a registar nem danos materiais”.

Foram ainda retirados 70 animais do Clube D. Carlos e do Centro Hípico do Estoril, na Charneca, que foram levados para o hipódromo Manuel Possolo, em Cascais.

Sobre os danos materiais, André Fernandes disse que alguns apoios de madeira nalgumas áreas habitacionais ficaram danificados e um veículo ligeiro ardeu, adiantando que, neste momento, equipas da GNR, da PSP, polícias municipais de Cascais, Sintra e outros meios das duas câmaras municipais estão a fazer a validação da área afetada para verificação de mais danos do parque habitacional ou edificado.

O autarca Carlos Carreiras realçou o facto de não haver vítimas graves e de não haver outros incidentes a nível do edificado urbano. “Estou convicto que os próximos dias serão de muito trabalho”, disse, deixando “um agradecimento e incentivo a todos aquele que vão ajudar a conseguir controlar e a debelar qualquer risco que ainda possa persistir”.

O presidente da Câmara de Cascais aproveitou o ponto de situação para responder às questões que os munícipes têm feito nas redes sociais, garantindo que não vão ser realizadas construções nas áreas ardidas no Parque Natural de Sintra-Cascais, pelo fogo. “Independentemente de ter havido este incidente ou este acidente, são áreas onde já não eram permitidas serem construídas e, portanto, também continuará a não ser permitido”, assegurou Carlos Carreiras.

Devido ao fogo, estão cortadas a estrada nacional 247 e a estrada nacional 9-1, que servem o Guincho e a zona do Autódromo do Estoril, informou, apelando à população para não se dirigir para a área afetada pelo incêndio e para deixar “estas vias de circulação libertas para os meios de socorro”.

Marcelo elogia combate a incêndio em Sintra e Cascais que superou todas as expectativas

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, elogiou este domingo a resposta ao incêndio que afetou Sintra e Cascais, considerando “tranquilizador” que, mesmo com as condições desfavoráveis, o combate tenha superado todas as expectativas. À chegada para as festas de Almoçageme, concelho de Sintra, Marcelo Rebelo de Sousa falou aos jornalistas, acompanhado pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues

É tranquilizador ver, para um fogo com aquela velocidade, com as condições muito desfavoráveis, como a resposta superou todas as expectativas. E isso deve ser sublinhado e elogiado hoje”, enalteceu.

O Presidente da República recordou que durante a madrugada acompanhou a situação, “de forma a não prejudicar os operacionais”, tendo estado na Câmara Municipal de Sintra e depois num aldeamento na Malveira, Guincho. “Pude verificar a forma como autarcas, populações, incluindo até muitos estrangeiros, e sobretudo os operacionais, foram excecionais, em tudo. Na capacidade de resposta, os operacionais e as autarquias, e as populações e turistas, no civismo com que aceitaram e efetuaram a evacuação de casas ou, por exemplo, do parque de campismo, em tempo verdadeiramente recorde”, destacou.

Costa acompanhou evolução de “ameaça efetiva” na serra de Sintra

O primeiro-ministro, António Costa, adiantou este domingo que esteve a acompanhar, durante a madrugada, o incêndio, considerando-o “uma ameaça efetiva à segurança”.

Obviamente que estive a acompanhar [a evolução do incêndio], até cerca das 4h30 da manhã, o que se estava a passar, e em contacto com o senhor presidente da Câmara Municipal de Cascais”, afirmou António Costa.

Em declarações aos jornalistas, no concelho da Golegã, distrito de Santarém, António Costa fez questão de deixar a Carlos Carreiras “um abraço de solidariedade e apreço pela forma, aliás, muito serena como soube exercer as suas funções de responsável municipal da Proteção Civil e pela forma como se articulou muito bem com o Comando Distrital das Operações de Socorro”.

O primeiro-ministro quis ainda dar “um grande abraço a todas as mulheres e homens que durante toda a noite tiveram um combate muito difícil, e naturalmente às populações, que se sentiram particularmente ameaçadas, perante um fogo que, durante duas horas, e com um vento de grande intensidade, foi uma ameaça efetiva, não só à segurança das suas habitações como à segurança das pessoas”, salientou.

O chefe de Governo destacou também que “felizmente foi possível travar este combate com sucesso sem que haja danos pessoais significativos, sem que tenha havido qualquer habitação atingida”. “Até ao momento, pelo menos, do levantamento que está a ser feito, há só anexos ou apoios que foram atingidos, mas não há nenhuma habitação que tenha sido atingida. E com a intervenção logo de manhã dos meios aéreos, foi possível que o incêndio ficasse dominado” 12 horas depois de ter deflagrado.

Na altura, o primeiro-ministro foi também questionado se teria ficado incomodado pelo facto de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, se ter deslocado aos Paços do Concelho de Sintra no sábado à noite, mas Costa foi taxativo: “não houve incómodo nenhum”.

O governante destacou que Marcelo Rebelo de Sousa esteve “sempre em contacto” consigo e com o ministro da Administração Interna, e que “houve uma atuação muito articulada, entre o Presidente da República, Governo, Câmara Municipal de Cascais, também Câmara Municipal de Sintra”, embora em Sintra “não tenha havido propriamente incêndio”. “Iniciou-se aí, mas seguiu logo, por força do vento, em direção ao concelho de Cascais, e é isso que é normal, é que haja articulação saudável entre todos, porque para dramas já basta a realidade do incêndio, não vale a pena complicarmos mais”, rematou.

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