Bruno de Carvalho estará a ser investigado no âmbito do caso das agressões a jogadores e treinadores do Sporting na Academia em Alcochete a 15 de maio, segundo avançou esta terça-feira a CMTV.

De acordo com o canal, o antigo presidente leonino, destituído em Assembleia Geral a 23 de junho, terá pedido para ser assistente no processo mas viu essa intenção negada por um juiz do Tribunal do Barreiro, pela possibilidade de colidir com a investigação. Não terão sido adiantadas mais explicações pelo segredo de justiça, mas a CMTV assegura que essa rejeição está ligada ao facto de Bruno de Carvalho ser um dos alvos da investigação que está a decorrer.

O ex-líder verde e branco negou sempre qualquer ligação direta ao caso. “Não passa pela cabeça de ninguém que o clube ou a SAD tivessem interesse neste tipo de atos de terrorismo contra os seus, ou outros. Tenho lutado com todas as forças contra a violência e nunca tive qualquer tipo de ação que fosse geradora de violência como se comprova (…) pelos cinco anos [na presidência do Sporting] sem qualquer incidente. Lamento, por isso, que me estejam a ser imputadas responsabilidades, diretas ou indiretas, morais ou materiais desse ato absolutamente hediondo”, salientou. Também a Juventude Leonina, através do seu líder Nuno Mendes, mais conhecido por Mustafá, desmentiu qualquer ação de Bruno de Carvalho: “Em nenhum momento houve um pedido, sugestão ou sequer aval do presidente ou de qualquer elemento do Sporting para que a Juve Leo desencadeasse qualquer ação contra os nossos jogadores, o nosso mister, o staff técnico ou qualquer elemento na Academia”.

Recorde-se que, na semana passada, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa anunciara que todos os suspeitos do ataque à Academia iriam ficar continuar em prisão preventiva, com as medidas de coação aplicadas aos arguidos a serem revistas de três em três meses. Segundo a nota, o Tribunal da Relação de Lisboa “já se pronunciou, em oito acórdãos, pela manutenção das medidas de coação de prisão preventiva aplicadas aos arguidos” e considerou as medidas de coação máxima “necessárias, proporcionais e adequadas, atentas às necessidades e exigências e penas abstratas previstas para os crimes indiciados”.

No total, estão em prisão preventiva 37 arguidos, dos quais 23 foram detidos no dia dos acontecimentos e os restantes em junho e julho. Entre eles, está o antigo líder da claque Juventude Leonina, Fernando Mendes. Os arguidos, recorde-se, são suspeitos de terem participado nas agressões a jogadores e treinador do Sporting, que se preparavam para mais um treino, na Academia em Alcochete. O ataque provocou o caos no centro de treinos, sobretudo no balneário onde estavam reunidos os jogadores, que acabaram por ser insultados, ameaçados e agredidos. Os agressores lançaram ainda tochas dentro do edifício. Uma delas acabou por atingir e ferir o preparador físico. Os 37 arguidos são suspeitos de vários crimes, entre os quais terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Há mais dois detidos no caso de Alcochete

A TVI24 avançou esta terça-feira que há mais dois detidos no caso do ataque à Academia do Sporting, segundo uma fonte da Polícia Segurança Pública (PSP).

Bruno Jacinto, o funcionário do Sporting que detinha o cargo de oficial de ligação às claques é, segundo o Correio da Manhã, um dos mais recentes detidos na investigação do DIAP de Lisboa. O funcionário dos leões terá tido conhecimento prévio do crime e terá ajudado a executar o plano e, posteriormente, à fuga dos agressores.