Cristiano Ronaldo

David Chesnoff, o “advogado das estrelas”, não vai representar Ronaldo no caso de alegada violação

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A Gestifute confirmou que David Chesnoff não vai representar CR7 no caso entre ele e Kathryn Mayorga. Empresa não avança com outro nome, mas Osório e o alemão Christian Schertz fazem parte da defesa.

AFP/Getty Images

David Chesnoff, o “advogado das estrelas” que já representou celebridades como Mike Tyson e Harvey Weinstein em polémicas de assédio, abuso e violação sexual, não vai representar Cristiano Ronaldo no caso de uma alegada violação à professora norte-americana Kathryn Mayorga, confirmou o Observador junto da Gestifute.

A empresa de gestão de carreiras desportivas não avança com o nome de quem pode tomar as rédeas da equipa de defesa do internacional português neste caso, embora o mais recente comunicado de imprensa relativo ao caso Ronaldo pela Gestifute tenha sido assinado por Christian Schertz, advogado alemão especialista em lei da comunicação social. Mas a TVI 24 fala em Peter S. Christiansen, um advogado de Las Vegas que é especialista em defesa criminal e danos pessoais.

O nome de Christiansen, contudo, não foi confirmado pela Gestifute. Trata-se de um causídico que está na lista dos 100 melhores advogados dos Estados Unidos da América e que, neste momento, está a defender um homem acusado pela mulher de ter morto o filho de ambos, que tinha cinco meses. O bebé morreu dois dias depois de ter dado entrada no hospital com marcas de violência na cabeça e no pescoço. O homem foi detido depois de a autópsia ter provado que os ferimentos foram causados por abusos contra o bebé — e não por ele se ter magoado com o biberão, como o pai começou por dizer à polícia.

O nome de David Chesnoff foi avançado pela Associated Press a 3 de outubro deste ano. A agência de notícias norte-americana avançou mesmo que o advogado tinha sido contratado nessa quarta-feira, tendo acrescentado declarações do próprio David Chesnoff onde este negava “categoricamente” as alegações de uma violação em 2009 e expressava “fé completa no sistema judicial”.

Ao Observador, a Gestifute — que gere a carreira de Ronaldo — diz que “o advogado não é David Chesnoff”: “Não foi anunciado por nós, não foi anunciado pelo Ronaldo. Ninguém do lado do Ronaldo divulgou ou confirmou o nome do advogado”, respondeu fonte oficial da empresa sem avançar com outro nome.

Cristiano Ronaldo terá estado esta segunda-feira em Lisboa, acompanhado por Georgina Rodríguez, para delinear a defesa no caso contra Kathryn Mayorga. O futebolista ter-se-á encontrado com advogados no Sky Bar, no Hotel Tivoli, para estudar a estratégia para lidar com a polémica.

Entretanto, o Jornal de Notícias publicou que Cristiano Ronaldo terá dito às autoridades que os ferimentos no ânus detetados em Kathryn Mayorga foram provocados por outra pessoa.

O advogado portuense que não abandona Ronaldo

No entanto, há um nome que não abandona Cristiano Ronaldo desde o início da carreira do avançado da Juventus: Carlos Osório de Castro. É, aliás, a assinatura desse advogado portuense que surge na terceira página do acordo secreto que o madeirense assinou com Kathryn Mayorgia a 12 de janeiro de 2010 após a professora norte-americana, à época modelo e anfitriã de uma discoteca em Las Vegas, ter acusado Ronaldo de violação em 2009.

Nesse contrato, Kathryn — identificada como “senhora P” — comprometia-se a manter o silêncio sobre os “alegados eventos” que ocorreram entre ela e Ronaldo — “senhor D” nesse documento. Mais: não podia contar a ninguém o que tinha acontecido, não podia revelar a identidade de Cristiano Ronaldo, tinha de destruir qualquer material referente àquele caso e tinha de desistir de “todas as queixas criminais ” contra ele. Em troca, Kathryn Mayorga recebeu 375 mil dólares (cerca de 326 mil euros).

Num dos 11 pontos que compõem o contrato, no entanto, o nome de Osório de Castro é diretamente enunciado: “As partes concordam ainda que a senhora P. escreverá uma carta ao senhor D. (que não esteve nas reuniões) que deverá, como uma condição do acordo, ser-lhe lida pelo advogado português sr. Osório de Castro, que terá depois de certificar à senhora P. que a carta foi de facto lida ao senhor D. A carta deverá ser fornecida ao advogado ao mesmo tempo que a senhora P. der a sua cópia do acordo final e a missiva deverá ser lida nas duas semanas seguintes à sua recepção pelo sr. Osório de Castro, e a senhora P. deverá ser informada da leitura imediatamente depois de esta acontecer”.

No final, o documento é assinado por quatro pessoas: Kathryn Mayorga, o advogado Richard Wright (que a representava), John H. Lavely (um dos advogados de Ronaldo) e Carlos Osório de Castro, que rubricou o documento tanto na qualidade de advogado do futebolista como de procurador dele porque Ronaldo não esteve presente no momento em que o acordo foi estabelecido.

Como Ronaldo discutiu o acordo com Mayorga

O facto de Cristiano Ronaldo não estar presente nessa reunião terá incomodado Kathryn Mayorga, desvendam os documentos do Football Leaks a que o Der Spiegel teve acesso. Osório de Castro terá enviado uma mensagem a Ronaldo dizendo que “o mediador diz que ela começou a chorar e que está perturbada porque acha que não está interessado no assunto e por estar noutro sítio qualquer”. Depois, noutra mensagem, Osório de Castro terá dito a Ronaldo: “Até agora ainda não se falou em dinheiro, mas isso está para vir”. O jogador respondeu: “Ok”, mas 47 minutos depois, Osório enviou outra mensagem:

— 950 mil dólares.

— É essa a quantia?

— É a primeira exigência: são 660 mil euros. Não vamos aceitar. As negociações continuam.

— Isso é demais?

— Acho que sim. Acho que vamos fechar isto por menos.

— Tem de ser menos!

— Ok.

Só ao final do dia é que Cristiano Ronaldo receberia outra mensagem de Osório de Castro:

— Finalmente estamos a terminar, após 12 horas, por 260 mil euros. Além disso, haverá os custos da mediação de que já lhe falei, mais alguns pagamentos aos advogados que estão agora a tentar formalizar a transação. Sei que é muito dinheiro, mas acho que foi a melhor saída – e não foi nada fácil chegar até aqui.

Quanto à carta que Osório de Castro devia ter lido a Cristiano Ronaldo, o Der Spiegel teve acesso a uma cópia desse documento. Na carta, Kathryn Mayorga dizia: “Gritei NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃÃÃÃÃO vezes sem conta e implorei-te para parares. Atacaste-me por trás com um rosário branco ao pescoço!! O que é que Deus pensaria daquilo!!! O que é que Deus pensaria de ti!!!”. Depois acrescentou: “Espero que te apercebas daquilo que me fizeste e que tenhas aprendido com este erro terrível!! Não roubes a vida de outra mulher como roubaste a minha!! Não quero saber do teu dinheiro, isso era a última coisa que eu queria!! Queria justiça! Não existe mesmo justiça neste caso”.

A essa carta, os advogados que redigiram o contrato confidencial entre Ronaldo e Mayorga chamaram “Carta de Acordo Confidencial em Anexo”.

É incerto se Cristiano Ronaldo terá tido acesso a essa carta. Ela devia ter sido lido a Ronaldo por Osório de Castro no prazo de duas semanas após a sua receção. Pouco antes de esse prazo terminar, o advogado de Kathryn Mayorga terá enviado um e-mail ao advogado português: “Pelos meus cálculos faz amanhã duas semanas desde que recebeu a carta. Assim, por favor confirme se a carta foi lida a Topher [pseudónimo de Ronaldo]”. Osório de Castro terá respondido: “Confirmo que a carta foi lida por mim a Topher”. Depois, o norte-americano enviou outro e-mail que dizia apenas: “Pinóquio”.

Outro nome da defesa de Cristiano Ronaldo que já veio à tona à conta desta polémica foi o de Johannes Kreile, advogado em Munique. A Der Spiegel enviou a 10 de abril de 2017 um e-mail a Cristiano Ronaldo com uma lista de questões acerca dos documentos a que tinha tido acesso para a primeira parte da investigação do jornal alemão. Foi Johannes Kreile quem respondeu: “Rejeitamos categoricamente as acusações suscitadas pelas vossas perguntas”. Também afirmou que Ronaldo “tomaria medidas contra quaisquer alegações factuais falsas, bem como qualquer violação do seu direito à privacidade”. E exigia que a Der Spiegel “desistisse de publicar” aquele material.

A Der Spiegel não desistiu e publicou a primeira parte da reportagem a 14 de abril de 2017. A Gestifute, que gere a carreira de Ronaldo, saiu em defesa do futebolista através de um comunicado onde podia ler-se que “o jornal alemão Der Spiegel publica hoje uma extensa notícia sobre uma alegada acusação de violação que, segundo se refere, teria sido feita a Cristiano Ronaldo em 2009. Ou seja, há cerca de 8 anos. Trata-se de uma peça de ficção jornalística. A suposta vítima recusa ser identificada e corroborar a estória. A reportagem do Der Spiegel é falsa e Cristiano Ronaldo agirá contra esse órgão de comunicação social por todos os meios ao seu alcance. A imputação de uma violação é uma acusação nojenta e ultrajante que não pode ficar em claro”.

Sobre a carta, a Gestifute disse em comunicado: “E todo o enredo se baseia em documentos não assinados e em que as partes são identificadas por códigos, em emails entre advogados que não dizem respeito a Cristiano Ronaldo e cuja autenticidade ele desconhece, e numa suposta carta que teria sido enviada pela putativa vítima, mas que ele nunca recebeu”. Quanto a Ronaldo, o futebolista negou igualmente todas as acusações à Der Spiegel na mesma altura.

Quando a última parte da reportagem foi publicada, o capitão da seleção portuguesa reagiu através do Twitter: “Nego terminantemente as acusações de que sou alvo. Considero a violação um crime abjecto, contrário a tudo aquilo que sou e em que acredito. Não vou alimentar o espectáculo mediático montado por quem se quer promover à minha custa. Nego terminantemente as acusações de que sou alvo. Considero a violação um crime abjecto, contrário a tudo aquilo que sou e em que acredito. Não vou alimentar o espectáculo mediático montado por quem se quer promover à minha custa”.

A Gestifute também lançou outro comunicado de imprensa quando o Der Spiegel publicou a investigação na íntegra: “A matéria noticiada no SPIEGEL é manifestamente ilegal e viola os direitos de personalidade do nosso cliente Cristiano Ronaldo de uma forma extremamente grave. Esta é uma notícia de suspeição inadmissível em matéria de privacidade. Por conseguinte, a sua reprodução será ilícita. Fomos instruídos para apresentar todas as queixas e reivindicações ao abrigo da lei de imprensa contra a publicação SPIEGEL, em particular no que toca à compensação por danos morais num montante que corresponda à gravidade da violação cometida, que é provavelmente uma das violações mais graves dos direitos de personalidade dos últimos anos”.

Esse comunicado é assinado por Christian Schertz, apresentado como “o advogado de Cristiano Ronaldo” pela Gestifute. Christian Schertz tem 52 anos, estudou Direito e desde 1994 que trabalha na área de imprensa, direitos de autor e lei da comunicação social.

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