Sonae

Trump, taxas de juro e Itália estragam oferta em bolsa do Continente

Sonae informa que a venda em bolsa de ações da empresa de distribuição dona do Continente não se vai realizar por causa de "condições adversas dos mercados internacionais".

JOSE COELHO/LUSA

A Sonae já não vai concretizar a oferta de ações da empresa de distribuição dona do Continente, informou a empresa ao mercado. A não execução da oferta inicial de abertura do capital em bolsa da Sonae MC não irá realizar devido às “condições adversas dos mercados internacionais”, diz a empresa em comunicado sem avançar mais esclarecimentos.

Em causa estava uma oferta de ações para investidores institucionais internacionais, como fundos de investimento e seguradoras, e para investidores portugueses de retalho. A oferta falhou na adesão dos grandes investidores internacionais e acabou por ditar o cancelamento da abertura do capital da Sonae MC.

Por trás da turbulência das bolsas internacionais, tem estado uma conjugação de efeitos que vão desde algumas políticas do presidente Donald Trump, em particular a escalada na guerra comercial com a China, até ao braço de ferro do Governo italiano com a Comissão Europeia por causa do controlo orçamental. As quedas dos últimos dias também são uma reação ao fim da política de estímulos económicos que está a acontecer mais depressa nos Estados Unidos, onde a FED já está a aumentar as taxas de juro de referência.

A oferta inicial (IPO) de ações da empresa de distribuição portuguesa é uma das primeiras vítimas da turbulência nos mercados financeiros. O índice S&P 500 que integra as maiores empresas europeias está a negociar ao nível mais baixo desde dezembro de 2016 e há mais empresas com planos para vender ações a dar passos atrás e adiar os seus planos, conta a Bloomberg. A agência financeira internacional sublinha que as empresas preferem abrir o seu capital em períodos de estabilidade nas bolsas, para evitar grandes oscilações. Também os bancos colocadores, que muitas tomam firme estas ofertas — ou seja, têm que ficar com as ações se não as conseguiram vender — evitam os riscos de execução provocados pela instabilidade.

Um dos próximos testes aos mercados será oferta de ações da petrolífera espanhola Cepsa, com presença em Portugal, promovida pelo seu principal acionista a Mudadala, empresa pública de investimento do Abu Dhabi que também é acionista da EDP.

O grupo Sonae tinha anunciado na passada quinta-feira que ia colocar em bolsa um mínimo de 21,74% de ações da sua empresa da área de retalho alimentar, através de uma oferta pública inicial, com um preço entre 1,40 e 1,65 euros por ação, para encaixar até 478 milhões de euros. Esta seria a primeira grande oferta em bolsa em Portugal desde 2014, quando os CTT foram vendidos no mercado de capitais.

A operação consistia na disponibilização de 217,36 milhões de ações ordinárias da Sonae MC, com possibilidade de disponibilização de mais 32,6 milhões de títulos, para investidores institucionais e para investidores em Portugal. O cancelamento da oferta é anunciado um dia antes de terminar o prazo a partir do qual as ordens de compra de ações recebidas passavam ser vinculativas.

Esta quinta-feira, os números da Sonae na bolsa lisboeta encerraram no vermelho. A Sonae SGPS fechou com uma queda de 2,64% enquanto a Sonae capital registou uma variação negativa de 6,01%. Um cenário vermelho que acabou por se refletir também na descida do PSI-20, que encerrou a cair 0,82%.

Também em Wall Street os números continuaram no vermelho. Pelo sexto dia consecutivo, as bolsas norte-americanas encerraram em queda. Nos últimos seis dias, o S&P 500 somou uma queda acumulada na ordem dos 7%. Um dado que por enquanto não parece preocupar em demasia os investidores.

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