Foi na fase das alegações iniciais do maior julgamento por narcotráfico dos EUA, que arrancou esta terça-feira, que os advogados de Joaquin “El Chapo” Guzman montaram a sua defesa: a ideia é passar as culpas para Isamel Zambada, conhecido por “El Mayo” (que está em fuga), fazendo crer que El Chapo não foi mais do que vítima de uma conspiração arquitetada por aquele que seria o “verdadeiro líder” do cartel mexicano de Sinaloa.

Para sustentar a tese, um dos advogados de El Chapo, Jeffrey Lichtman, disse em tribunal que centenas de milhões de dólares foram transferidos por El Mayo, em nome do cartel de droga, para o atual presidente do México, Enrique Peña Nieto, e para o antecessor, Felipe Calderón — que terão aceitado os subornos. O governo mexicano, contudo, reagiu logo negando a acusação.

Num post publicado no Twitter, o porta-voz do governo mexicano, Eduardo Sánchez, afirma que “o governo de Henrique Peña Nieto perseguiu, capturou e extraditou o criminoso Joaquín Guzman Loera”, garantindo por isso que “as afirmações atribuídas ao seu advogado são completamente falsas e difamatórias”. Peña Nieto vai ser substituído no cargo a 1 de dezembro pelo já eleito novo presidente do México Andrés Manuel López Obrador.

Também o ex-presidente Felipe Calderón usou a mesma via para desmentir as acusações: “São absolutamente falsas e temerárias as afirmações que estão a ser atribuídas ao advogado de Joaquín “El Chapo” Guzman. Nem ele, nem o cartel de Sinaloa nem nenhum outro fez pagamentos à minha pessoa”.

“El Chapo”, considerado o traficante de droga mais poderoso do mundo desde a morte de Pablo Escobar em 1993, é suspeito de ter traficado para os EUA cerca de 200 toneladas de cocaína e outras drogas ao longo de três décadas. O julgamento decorre no tribunal de Brooklyn, em Nova Iorque, e teve início esta terça-feira, depois de, em 2016, o governo mexicano ter conseguido a extradição do barão da droga para os EUA.

A ideia agora é passar as culpas para Zambada (“El Mayo”), que está a monte, com o advogado de defesa de El Chapo a garantir que era ele, e não o seu cliente, que controlava todas as operações.