Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da Republica apela à participação na campanha do Banco Alimentar e alerta que saída da crise “é lenta e desigual”

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Salientando que quase 20% dos portugueses continua a ser pobre e que existe um milhão de idosos com rendimentos abaixo dos 250 euros, Marcelo defendeu que o projeto "é cada vez mais necessário".

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Presidente da República apelou, esta sexta-feira, aos portugueses para participarem na campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar contra a Fome, este fim de semana, e salientou que a saída da crise “é lenta e desigual”.

“A saída da crise é uma saída lenta, desigual, difícil. As pessoas não podem pensar que, de repente, abrimos a janela num dia de sol radioso e já não estamos em crise, isso não existe”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, que esta sexta-feira visitou as instalações do Banco Alimentar para acompanhar os preparativos da campanha, que decorrerá no sábado e domingo em todo o país.

Salientando que quase 20% dos portugueses continuam a ser pobres e que existe um milhão de idosos com rendimentos abaixo dos 250 euros, o chefe de Estado defendeu que este projeto “é cada vez mais necessário”.

“São 400 mil pessoas em Portugal que são apoiadas permanentemente em Portugal a nível alimentar, mais de 20 mil instituições. Eu estar aqui esta sexta-feira é uma forma de chamar a atenção para que, amanhã e depois, cada um à sua maneira deve contribuir”, apelou, salientando que a campanha de Natal do Banco Alimentar “é o maior momento de partilha”.

Marcelo Rebelo de Sousa contou um exemplo que testemunhou, de uma idosa que, num supermercado, comprou para si apenas um produto alimentar e deu dois para a campanha.

A presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, alertou que “nos últimos dois, três meses” as equipas no terreno voltaram a sentir mais pressão de carências alimentares, o que atribuiu a um aumento do desemprego e de situações de endividamento.

“Esperemos que seja transitório”, afirmou.

Isabel Jonet manifestou-se ainda convicta que os portugueses voltarão a aderir à campanha de recolha de alimentos deste fim de semana.

“Os portugueses conhecem as carências que há perto de sua casa, confiam no Banco Alimentar e na sua proposta de partilha: quando vai comprar para si, dê aos outros”, afirmou, salientando que 4% da população portuguesa recebe alimentos desta instituição.

Pela primeira vez, vão ser testados na campanha sacos reutilizáveis, a uma escala ainda reduzida, com Isabel Jonet a esperar que, na próxima edição, já seja possível reduzir para metade os sacos de papel.

Marcelo Rebelo de Sousa visitou os dois armazéns onde já estão montados e a ser recolhidos os ‘kits’ dos voluntários — cerca de 40 mil em todo o país — e as prateleiras, ainda vazias, onde chegarão os vários produtos doados (em cada campanha a recolha chega às quase duas toneladas de alimentos).

O Presidente da República cumprimentou um dos mais antigos voluntários do Banco Alimentar, Ernesto Rebelo, e tentou ajudá-lo a montar uma das 15 mil caixas que vão ser necessárias em Lisboa, mas com pouco sucesso.

“Só à terceira e mesmo assim, que falta de jeito… O meu primo é melhor que eu”, comentou, numa alusão a coincidência do apelido Rebelo com o voluntário de há 25 anos.

“O Presidente tem muitas qualidades, mas fazer caixas…”, concordou Isabel Jonet.

Apesar de ter agenda para sábado — de manhã, as comemorações do 1.º de Dezembro e, à noite, a “Gala Cabo Verde Sucesso”, com o chefe de Estado cabo-verdiano -, Marcelo Rebelo de Sousa não afastou a possibilidade ainda passar à tarde pela recolha de alimentos no Centro Comercial Colombo ou, já de madrugada, voltar aos armazéns de Lisboa.

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