Prisões

Motim no Estabelecimento Prisional de Lisboa. O que se passou afinal?

703

Vários detidos atearam caixotes na Ala B do Estabelecimento Prisional de Lisboa, onde estão 190 reclusos. Foi chamado Grupo de Intervenção. Não houve feridos. Marcelo passou por lá

O motim já foi dominado

Thomas Meyer

Vários detidos do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) atearam fogo a caixotes e contentores do lixo na ala B, num protesto depois de ter sido anunciado que não haverá visitas na quarta-feira por estar marcado um plenário de guardas prisionais convocado pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional. De acordo com um comunicado da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), “um grupo de reclusos recusou-se a ser encerrado, tendo destruído alguns bens das celas e queimando colchões e caixotes do lixo”.

Ao Observador, Celso Manata, Diretor Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, garantiu que não houve feridos e que no próximo sábado, mesmo estando convocada uma nova greve, vão existir visitas na ala B do EPL. “Chamar motim é um pouco exagerado”, referiu. Quanto às imagens divulgadas do interior do estabelecimento, que mostravam vários objetos a arder, o responsável das prisões referiu: “Espero que tenham sido presos, e não guardas prisionais. Não é normal”. Manata refere que há “reclusos com telemóveis ilegais” nos estabelecimentos, que podem ter sido utilizados para a captação de imagens.

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves, afirma em declarações ao Observador que a “ala B tem estado ultimamente em alvoroço” e refere que a situação é imagem da falta de recursos nas cadeias, tanto para os guardas prisionais, como para os reclusos. O mesmo líder sindical apontou responsabilidades pela situação verificada ao início da noite desta terça-feira à direção da prisão por não ter avisado devidamente os reclusos e ter criado a expectativa.

Na nota enviada às redações pela Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, é explicado que “foi necessário determinar a intervenção dos guardas do Estabelecimento Prisional de Lisboa que tiveram de usar os meios previstos para estas situações de reposição da ordem.”

Também foi convocado o Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP), mas não chegou a ser necessária a sua intervenção, de acordo com a Direção Geral dos Serviços Prisionais, tendo o grupo sido colocado de prevenção. Depois do motim, que terá começado por volta das 19h, os reclusos foram encerrados nas celas às 20h15m, também de acordo com a DGRSP.

Marcelo falou com familiares dos reclusos

Durante a noite, vários familiares dos reclusos estavam em frente ao EPL para saber novidades relativamente ao motim. À saída do jantar com o Presidente chinês, Marcelo Rebelo de Sousa acabou também por passar por ali de carro, e trocou umas palavras com alguns dos familiares dos reclusos. Ao que o Observador apurou junto de fonte oficial da Presidência da República, não se tratou de uma passagem programada. O Presidente da República estava a fazer esse percurso, e aproveitando um sinal vermelho que obrigou à paragem do carro, abriu a janela e falou com algumas das pessoas que estavam concentradas junto ao EPL.

De entre este grupo de familiares dos reclusos, várias pessoas ouvidas pela TVI referiram ter ouvido o disparo de balas, possivelmente de borracha, pela presença do Grupo de Intervenção de Segurança Prisional, da GNR.

Há imagens gravadas do interior da prisão, divulgadas pela CMTV e pela TVI, que mostram vários objetos a serem atirados do topo da ala. “Isso só mostra as condições dos estabelecimentos prisionais”, refere Jorge Alves, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, referindo que o número de telemóveis apreendidos tem subido mas que não há recursos suficientes para fiscalizar se os reclusos têm ou não estes dispositivos.

É uma ala possivelmente com os reclusos mais jovens, reincidentes e com maior conhecimento do estabelecimento prisional”, referiu Jorge Alves sobre os desacatos na Ala B.

Quanto ao material utilizado para o protesto, Jorge Alves referiu que foram “bens pessoais, roupa, caixotes do lixo, cadeiras roupas, caixotes pretos, as mesas, roupa, vassouras, esfregonas para limpar o chão”.

À Lusa, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, disse ter conhecimento de que foi convocado esta terça-feira ao fim da tarde “todo o pessoal que estava de folga e a intervenção do GISP, por eventuais confrontos na Ala B daquele estabelecimento, na rua Marquês da Fronteira, em Lisboa.

“Não tem muito tempo estes reclusos vandalizaram o refeitório, o pavilhão e agora voltam a vandalizar e a recusar-se ser fechados. Ainda há menos de um mês estes reclusos se recusaram a ser fechados durante um fim de semana e obrigaram a diretora a ir ao EPL para conversar com eles, portanto tem sido já frequente esta situação”, disse o mesmo líder sindical à TSF.

Há cerca de um mês que os bares da prisão estão fechados devido à greve. Haverá nova greve de 6 a 13 de dezembro pelas condições dos guardas prisionais.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mmachado@observador.pt
Justiça

Acabe-se com os tribunais administrativos, já!

João Luis Mota de Campos
248

Não é tolerável é manter em (des)funcionamento o actual sistema jurisdicional administrativo, que pode causar a alegria teórica de alguns mas é causador de um intenso prejuízo social e viola direitos.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)