Rádio Observador

Greve

Sindicatos dos Enfermeiros admitem estender paralisação a mais hospitais

610

A greve cancelou quase 5.000 cirurgias em duas semanas de protesto, mas os sindicatos admitem estender a paralisação a ouros hospitais caso o Governo continue a recusar dialogar com os sindicatos.

Os enfermeiros iniciaram há duas semanas uma greve às cirurgias programadas

ESTELA SILVA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A greve dos enfermeiros cancelou quase 5.000 cirurgias em duas semanas de protesto, disse à Lusa uma fonte sindical, admitindo estender a paralisação a ouros hospitais caso o Governo continue a recusar dialogar com os sindicatos.

“O que nós admitimos, e é quase um facto consumado, é que, dadas as circunstâncias, e se o Governo continuar a recusar-se dialogar com os enfermeiros, estamos a ponderar novas formas de luta que se vão iniciar no próximo ano”, disse o presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), que convocou a greve juntamente da Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE). Carlos Ramalho explicou que “o sentido é agravar estas lutas e talvez estender esta greve cirúrgica a outras instituições do resto do país”.

Os enfermeiros dos blocos operatórios do Centro Hospitalar Universitário de S. João (Porto), do Centro Hospitalar Universitário do Porto, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e do Centro Hospitalar de Setúbal iniciaram há duas semanas uma greve às cirurgias programadas.

Fazendo um balanço das primeiras duas semanas da greve cirúrgica, que termina a 31 de dezembro, Carlos Ramalho considerou que é “bastante positivo”, com uma “adesão fortíssima”. “Continuam a ser diariamente adiadas ou desprogramadas cerca de 500 cirurgias e os colegas continuam a aderir com muita força e continuam empenhados nesta luta até quando for necessário”, vincou.

Ao todo, já são quase 5.000 cirurgias adiadas, disse o sindicalista, adiantando que o desejo dos enfermeiros é “tentar chegar a um acordo com o Governo e não continuar esta greve”, o que não depende dos profissionais. “Está do lado do Governo, neste momento, continuarmos as negociações, que é isso que pretendemos”, sustentou.

Questionado sobre o alerta lançado na quarta-feira pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares de que há doentes em situações graves que estão a ver as cirurgias adiadas devido à greve, Carlos Ramalho afirmou que essa responsabilidade não pode ser atribuída nem aos enfermeiros nem aos sindicatos.

“Nós temos consciência de que esta greve causa prejuízos”, mas os serviços mínimos estão a ser assegurados e todas as cirurgias “urgentes e inadiáveis” estão a ser executadas e “aquelas que possam eventualmente não ter sido executadas é por má gestão dos tempos operatórios”.

Carlos Ramalho sublinhou que “não são os enfermeiros que fazem a gestão dos tempos operatórios, nem são os enfermeiros que definem quais são as cirurgias mais urgentes. Portanto, tudo está dependente sempre do critério médico”. “Temos conhecimento de blocos operatórios que têm tempos operatórios disponíveis e que não estão a ser utilizados por má gestão e isso não é responsabilidade nem dos enfermeiros nem dos sindicatos”, sustentou.

Portanto, “há que definir muito bem” e “gerir bem os tempos operatórios”, uma vez que “há serviços mínimos a ser garantidos e equipas prontas” para os prestar. Carlos Ramalho disse ter conhecimento de cirurgias que foram realizadas a utentes que foram chamados de casa, enquanto outros utentes que estão internados não estão a ser operados.

Considerou ainda “muito estranho” que o Governo esteja neste momento a negociar com sindicatos que não estão em luta e “não com aqueles que decretaram a greve e que a podem desconvocar”. “Isso é que seria justo e faria sentido porque os enfermeiros neste momento estão com estes dois sindicatos que decretaram a greve”, salientou.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Combustível

O mundo ao contrário

João Pires da Cruz
524

Se o seu depósito é mais importante do que aquilo que os pais deste bebé sentiram quando lhes disseram que o filho deles morreu instantes depois do nascimento, é porque tem o mundo ao contrário.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)