Em 2013, num programa de televisão, Pablo Iglesias afirmou que “invejava” os espanhóis que viviam na Venezuela. Agora, na Comissão de Investigação de Financiamento dos Partidos Políticos, diz que “está arrependido” pelas opiniões favoráveis ao regime político da Venezuela que emitiu no passado, escreve o El Español.

O pedido de desculpas do secretário-geral do Podemos aconteceu na manhã desta quinta-feira, na comissão de inquérito na qual participa apenas o PP, o maior partido de oposição. Iglesias explicou que “há muitas opiniões” que defendeu em anos anteriores que estavam erradas e disse acreditar que “é bom” haver retificações na política.

Estas são as minhas opiniões, não mantenho algumas coisas que disse no passado. A situação política e económica na Venezuela atual é terrível”, disse Pablo Iglesias na comissão.

Iglesias tem negado “categoricamente” que o Podemos tenha recebido fundos de governos de outros países ou que tenha sido financiado de forma irregular. O mesmo aconteceu esta manhã. “Se o que pergunta é se houve financiamento do governo da Venezuela, a resposta é não”, afirmou, depois de várias interrupções de Luis Aznar, senador e porta-voz do PP. “Não trabalhei para o governo venezuelano, mas não estamos aqui para falar sobre com quem trabalhei, não estamos aqui para falar sobre a minha vida”, continuou, citado pelo El País.

As suspeitas de financiamento

Em novembro deste ano Íñigo Errejón — dirigente e candidato do Podemos à autarquia de Madrid — fez uma defesa acérrima do governo de Nicolás Maduro numa entrevista à publicação chilena The Clinic, onde argumentou que “na Venezuela as pessoas comem três vezes ao dia”.

As suspeitas de que o regime venezuelano terá apoiado financeiramente a fundação do partido espanhol existem há muito, sobretudo tendo em conta que a organização anticapitalista espanhola Centro de Estudos Políticos e Sociais, por onde passaram vários dirigentes do Podemos, recebeu cerca de 7 milhões de euros do regime venezuelano. No início do mês, um juiz venezuelano garantia que Chávez financiou partidos de outros países.

A procuradora-geral [da Venezuela], Luísa Ortega [também exilada], já entregou à Interpol um relatório que contém detalhes muito concretos sobre os mil milhões de dólares entregues pelo regime chavista para fundar partidos noutros países, entre eles Espanha”, afirmou Miguel Tortab, presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, que exerce o cargo em exílio.

O juiz venezuelano chegou a relacionar o dinheiro do regime venezuelano de forma mais ou menos explícita com a fundação do Podemos: “Todos nós, venezuelanos, víamos na televisão o senhor Pablo Iglesias e o senhor Juan Carlos Monedero [também fundador do Podemos], porque Chávez gostava de se gabar deles”.

Um ano antes, Enrique Riobóo, diretor do antigo Canal 33, onde Iglesias fez a terceira temporada de La Tuerka (o seu programa semanal de entrevistas que o transformou numa estrela medíatica em Espanha), acusou o líder do Podemos de ser financiado pela Venezuela e pelo Irão.