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CEO do “unicórnio” Cloudflare de olho em Lisboa. O aeroporto é que não causou “muito boa impressão”

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Matthew Prince viajou até Lisboa para ponderar abrir um escritório da tecnológica norte-americana na capital portuguesa, mas as filas no controlo de fronteiras não foram um bom cartão de visita.

Matthew Prince (na foto) fundou a Cloudflare em 2009, em São Francisco, juntamente com Lee Holloway e Michelle Zatlyn

Steve Jennings

O presidente da empresa de cibersegurança norte-americana Cloudflare chegou esta sexta-feira a Lisboa para avaliar a abertura de um escritório na capital portuguesa, mas o cartão de visita do aeroporto não deixou Matthew Prince “muito bem impressionado”. À chegada, depois de um primeiro tweet de alegria, surgem os da desilusão: a fila estimada de duas horas para passar o serviço de controlo de passaportes e o aglomerado de pessoas.

[Em Lisboa, para investigar a eventual abertura de um escritório da Cloudflare por cá. A fila de 2 horas para passar pelo controlo de fronteiras não causa uma boa primeira impressão]

[Depois de 11 horas de voos, horas disto é muito divertido]

Mais tarde, em resposta a um tweet do Eco, Matthew Prince acabaria por dizer que o tempo de espera foi mais reduzido do que o que pensava, que “uma fila não era o suficiente para assustá-lo” e que as decisões sobre investimento seriam feitas com base noutros números.

A Cloudflare é uma startup unicórnio (avaliada em mais de mil milhões de dólares) fundada em 2009, com sede em São Francisco, nos EUA. Com quatro rondas de investimento que totalizam mais de 182 milhões de dólares, estima-se que a empresa que comercializa serviços para proteger e acelerar sites seja admitida em bolsa na primeira metade do próximo ano.

De acordo com a publicação especializada em tecnologia TechCrunch, é possível que a Cloudflare faça um IPO [seja admitida em bolsa] no primeiro semestre, com um valor de mercado que ronda os 3,5 mil milhões de dólares. Atualmente,a  tecnológica norte-americana vale 1,8 mil milhões.

Objetivo dos voos diretos entre Lisboa e São Francisco é aumentar o número de visitas de empresários norte-americanos

Em junho, o primeiro-ministro anunciou que Lisboa será a primeira cidade da Europa do Sul a ter uma ligação aérea direta com São Francisco, através da TAP, a partir de 2019. A ideia é a de ajudar a fomentar o ecossistema de startups.

Temos um vibrante ecossistema de negócios e a prioridade do Governo é apoiar as startups. Sei que algumas startups têm nome inglês, mas têm uma grande base em Portugal”, disse, acrescentando: “Venham, não só para nos visitar, mas também para investirem e trabalharem connosco.”

A seguir, também o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, fez um discurso sobre “as vantagens competitivas de Portugal”, falando então na existência de “boas infraestruturas” e de uma “reconhecida boa qualidade de vida”. “Somos um país que tem orgulho da sua abertura ao exterior, no comércio, na vida social ou na cultura”, acentuou o titular da pasta da Economia.

Contudo, as queixas relacionadas com os tempos de espera no aeroporto de Lisboa não são de agora — nem exclusivas ao CEO da Cloudfare. Em 2017, as reclamações dos passageiros sobre o funcionamento do aeroporto Humberto Delgado chegaram a 611, mais 14% face do que no ano anterior, de acordo com os dados da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Este ano, a ANA apelou, em comunicado, aos passageiros “para chegarem [ao aeroporto] com a maior antecipação possível nos dias 23, 27, 28 e 29 de dezembro e 2 e 7 de janeiro, as datas com maior pressão de tráfego nos próximos dias”. De acordo com a Deco, nos primeiros seis meses do ano, houve 1244 pessoas a queixarem-se à associação sobre o aeroporto de Lisboa, mais de metade do número de queixas que a Deco recebeu em 2017, e que rondou as 2055.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiros está no último dia de uma greve de três dias, mas não é suposto que esta abranja os funcionários do controlo de fronteiras do aeroporto. A paragem de final de ano diz respeito aos funcionários administrativos, pelo que ficam excluídos os funcionários da carreira de investigação e fiscalização do SEF com funções diretas no controlo de fronteira.

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