A bancada democrata do Congresso norte-americano enviou uma carta ao Departamento de Estado a questionar o envolvimento da administração Trump na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil, que chegou a Miami esta quarta-feira.
Na nota endereçada a Marco Rubio, o grupo de 25 democratas procurou perceber se Donald Trump e a restante liderança estavam familiarizados com as investigações atualmente em curso sobre lavagem de dinheiro, que visam o senador brasileiro. Foi com base nesta investigação que o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes proibiu a saída de Bolsonaro do país.
Assim, a bancada democrata, alegando motivos de “transparência”, questionou a facilidade com que foi concedido um visto a Flávio Bolsonaro, à mulher e às duas filhas. “O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo, no âmbito da função de fiscalização, em compreender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nestas circunstâncias”, escrevem os deputados na carta a que o Politico teve acesso.
“A transparência é particularmente importante nos casos em que os factos relatados envolvem um processo judicial no estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação coerente das políticas diplomáticas e de imigração dos EUA”, assinala ainda o grupo de democratas liderado por Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus.
Para além desta questão dos vistos, os políticos querem saber se algum órgão oficial norte-americano “ajudou” Bolsonaro a planear a sua saída do Brasil. “A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?”, lê-se.
Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira com a Argentina a pé perto das 23h locais, sem que ninguém desconfiasse. Com o seu passaporte italiano, o filho do ex-presidente entrou em solo argentino, de acordo com as próprias autoridades argentinas, com todos os documentos de viagem totalmente válidos. Ao fim de cerca de 40 minutos no país vizinho, embarcou num avião privado rumo ao Equador, onde faria uma escala antes de chegar ao destino final: Miami, cidade no estado norte-americano da Flórida, onde reside o irmão Eduardo.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]