Acompanhe o nosso liveblog sobre os conflitos internacionais

O jornal russo independente Novaya Gazeta, um dos mais conhecidos meios de comunicação críticos do Kremlin, vai encerrar definitivamente a sua atividade no próximo mês de novembro. A publicação aponta a pressão das autoridades russas como razão para esta decisão.

“Mataram-nos. O jornal acabou. As autoridades russas e os serviços secretos russos obrigaram a redação a encerrar a atividade. Ao mesmo tempo que recebemos a ordem de despejo, foi desativado o sistema de donativos que nos permitia receber contribuições dos nossos leitores. Esta é uma operação coordenada“, escreveu o diretor, Sergei Sokolov, no site do jornal.

Sokolov adiantou que “as autoridades bloquearam todos os recursos online, o Estado confiscou a gráfica e os agentes dos serviços secretos e censores infiltrados noutras redações impediram a publicação do jornal”. “Esta não é apenas a nossa história. É a história de um país e de uma sociedade que estão a ser sistematicamente esmagados“, acrescentou o diretor.

Fundado na década de 1990, o Novaya Gazeta tornou-se conhecido pelas investigações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e problemas sociais na Rússia. Durante vários anos, foi parcialmente financiado pelo antigo líder soviético Mikhail Gorbachev. O antigo diretor do jornal, Dmitry Muratov, recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2021.

Ao longo da sua história, seis jornalistas da empresa foram assassinados, entre os quais Anna Politkovskaya, morta a tiro em 2006, no prédio onde vivia, em Moscovo. A invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, tornou praticamente impossível o trabalho dos meios de comunicação independentes na Rússia. O Novaya Gazeta foi uma das últimas vozes críticas a continuar a trabalhar dentro do país.

Jornal independente russo Novaya Gazeta ameaçado de encerramento

Nos primeiros dias da invasão, o jornal publicou uma edição especial bilingue, em russo e ucraniano, na qual classificou a guerra como “loucura”. Pouco depois, o Kremlin aprovou novas leis de censura que obrigavam os meios de comunicação a divulgar apenas a versão oficial russa do conflito. “Durante quase cinco anos de guerra, conseguimos continuar a trabalhar apesar de estarmos completamente cercados pelos serviços secretos. Agora acabou. Encontramo-nos numa ‘zona de morte‘”, escreveu Sokolov.

No final de março de 2022, o jornal suspendeu a edição em papel. A pressão das autoridades continuou, com a licença de publicação a ser retirada em setembro desse ano e o site bloqueado pouco depois. Em abril, Dmitry Muratov foi atacado num comboio, num incidente que prejudicou a sua visão. As autoridades norte-americanas atribuíram o ataque aos serviços secretos russos.

Perante as restrições, vários jornalistas abandonaram a Rússia e antigos colaboradores no exílio criaram o Novaya Gazeta Europe, um jornal juridicamente independente. Muratov e uma pequena equipa continuaram no país a publicar revistas com uma tiragem de 999 exemplares, aproveitando uma exceção legal que dispensa de licença oficial as publicações com menos de mil cópias.

“O facto de o Novaya Gazeta ter continuado a trabalhar durante estes quatro anos e meio, depois de tudo o que aconteceu, foi um milagre. Mas não foi apenas um milagre: foi também uma escolha diária de pessoas que continuaram a ir trabalhar, mesmo quando tinham muito medo”, afirmou Elena Kostyuchenko, antiga jornalista do jornal, onde trabalhou durante 17 anos.

Este mês, os responsáveis pelo edifício onde funciona a redação informaram os jornalistas de que teriam de abandonar as instalações, no centro de Moscovo, até 9 de novembro. “Às vezes acontece que os nossos inimigos vencem. Neste momento, parece que venceram e que já não temos opções“, afirmou Nadezhda Prusenkova, responsável pelo serviço de imprensa do jornal. Ainda assim, a responsável acredita que os jornalistas vão tentar encontrar uma forma de continuar a trabalhar. “Afinal, não sabemos fazer mais nada”, acrescentou.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]